Chihiro mais que um filme, um aprendizado para a vida

Sejam muito bem vindos a mais uma matéria, aqui é a Jenni e hoje vamos ter a review de uma das animações mais importantes para a história do cinema japonês e mundial “A Viagem de Chihiro”.
DADOS TÉCNICOS
Nome Original:  Sen to Chihiro no Kamikakushi;
Estúdio: Ghibli;
Ano de Lançamento: 2001 (no Brasil estreou em 2003);
Diretor: Hayao Miyazaki;
Direção de Arte:  Norobu Yoshida, Yôji Takeshige
Gênero: Fantasia, Aventura;
Eu creio que a grande parte pelo menos ouviu falar desta obra tão marcante. Hayao Miyazaki e o estúdio Ghibli sempre foram conhecidos por trazerem em suas animações não apenas uma história com um inicio, meio e um fim, eles vão além, dando alma, nos fazendo aprender e refletir sobre nossas próprias vidas. Não atoa eles viraram referência mundial no quesito qualidade de animação, batendo de frente com estúdios americanos já estabelecidos como Dreamworks e a suprema Disney.
A Viagem de Chihiro quebrou as barreiras, ganhando holofote no Ocidente, incluindo nos EUA. Em seu lançamento se tornou o filme japonês mais rentável, e assim ficou por mais de 10 anos, perdendo seu título apenas em 2016 para “Kimi no na Wa” de Makoto Shinkai.
O sucesso não foi só com o público mas também com a crítica, assim ela faturou diversos prêmios como o Urso de Ouro, o Festival de Berlin, além do grande Oscar de “Melhor Animação” em 2003, desbancando: “Era do Gelo” (20th Century Fox), Lilo & Stitch (Disney), “Spirit: O corcel indomável” (Dreamworks) e “Planeta do Tesouro” (Disney).

©Ghibli/Hayao Miyazaki

A história segue Chihiro que é obrigada a se mudar junto de seus pais para uma nova cidade, como qualquer criança, é contra se mudar e deixar seus amigos e tudo o que conhece para trás. No meio da viagem, seus pais decidem pegar um atalho e acabam chegando em uma cidade deserta, mas que estranhamente haviam muitas barracas com comidas. Seus pais aproveitam para descansarem e se reabastecerem, porém, desconfiada, decide por não consumir nada.
Então decide explorar a cidade e acaba conhecendo um garoto chamado Haku, que lhe pede para ir embora. Quando a noite cai, a cidade ganha vida e os seres que lá habitam não toleram humanos.
Quando Chihiro volta para procurar seus pais, eles já haviam sido transformados em porcos. Após não conseguir escapar da cidade, Haku decide ajuda-lá a sobreviver aquele lugar e salvar seus pais.

©Ghibli/Hayao Miyazaki

Ao decorrer da história notamos certas influências que a película traz em si, por exemplo o sentimento de descoberta que ele nos traz é semelhante ao que temos quando vemos “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Caroll e o mundo “mágico” ser apresentado a Doroth após o balão dela ser pego pelo furacão “O Mágico de Oz”  de L. Frank Baum é como o mundo fantástico se apresenta à Chihiro após a noite cair na estranha cidade.
Uma das simbologias mais presentes na história, é a importância das memórias. No filme é sempre abordado como suas memórias, sua vivência molda suas ações no presente, seus pensamentos, sua personalidade, basicamente mostra que você só é quem é pelas suas memórias. Isso se torna claro no filme quando Chihiro, após ter seu nome roubado, e Haku ao ter suas memórias alteradas por Yubaba.
Apesar da obra quebrar muitos paradigmas, tendo como protagonista feminina criança forte (coisa que já vimos antes nas obras da Ghibli como em Princesa Mononoke), ele segue o conceito base de todas as histórias “A jornada do herói”, mostrando como um clichê pode ser renovado, adicionando novos conceitos e assim revitalizando e mostrando uma outra face daquilo que já estamos acostumados a ver.

©Ghibli/Hayao Miyazaki

 

O tema principal da obra é o amadurecimento, mostra a transformação que passamos ao decorrer de nossa vida, principalmente na idade em que a personagem se encontra, pois é uma idade de transição, onde passamos a deixar de ser crianças para começarmos a crescer.
Ter de ser aceita por um mundo novo desconhecido, como nós passamos a querer a aprovação de nossos país e as pessoas mais velhas ao nosso redor faz com que nos identifiquemos a todo o tempo. Também encontramos o amadurecimento e como lidar com o primeiro amor (coisa com a qual eu nunca aprendi a lidar em meus 20 anos de vida) assim como os personagens, passamos boa parte do tempo sem ao menos saber que é amor.
 A relação entre Chihiro e Haku se desenvolve de forma tão natural quanto a correnteza de um rio, você e nem mesmo eles entendem o que os une. Só entendem essa ligação após descobrem que foi Haku quem a salvou a após cair no rio que ele habitava. Mesmo ambos não se lembrando do ocorrido o que aconteceu foi tão profundo para ambos que se manteve, transformando o que no inicio era  proteção em amor.
O amor em sua forma mais pura e bela, é demonstrado tão bem que você sente ele o tempo todo na relação de ambos. Ele foi amadurecendo junto com os personagens, se tornando natural a vista do público.

©Ghibli/Hayao Miyazaki

 

Há varias mistologias, lendas e provérbios japoneses ao redor da obra, mas umas das minhas favoritas é sobre a maldição de Haku, “Kamikakushi” quer tem como significado no folclore japonês “Morte Social”, fazendo com que o personagem tenha que reconquistar seus valores e sua personalidade perante a sociedade e a si mesmo.
Assim como no nome original do filme  “Sen to Chihiro no Kamikakushi” é um jogo de palavras, onde o Sen, também significa o nome que nossa protagonista adquiri durante o longa. Além disso a junção das duas primeiras palavras forma a palavra Sento, que significa “casa de banho”, onde boa parte da história se passa.

©Ghibli/Hayao Miyazaki

 

Não da para falar de Chihiro ou da Glibi sem citar  sua trilha sonora, que fica por conta de Joe Hisashi. Ele já havia trabalhado com Hayao Miyazaki em “Princesa Mononoke” e o resultado não podia ser diferente. A trilha sonora fica a altura do filme, após ouvir a música “One Summer day”, o filme trouxe uma nova profundidade. Para mim ela traz uma sensibilidade, a obra que me cativou desde a primeira nota.
Todas as músicas te cativam, trazendo ainda mais peso emocional para as cenas. Todas as OST’s fica em sua cabeça te trazendo sentimentos e te faz lembrar exatamente do que acontece no filme naquele momento, algo que deve ser apreciado por todos.
Mesmo parecendo uma animação simples a primeira vista, o filme vai além, nos ensina a viver, nos ensina a amar, nos ensina a crescer. Uma obra tão marcante que já se tornou um clássico obrigatório para qualquer fã do cinema japonês e mundial. Um filme que não importa sua faixa etária, fará com que você se emocione e te teletransportará para a criança de 10 anos que já você já foi um dia, com as mesmas inseguranças e incertezas.
Nota: 10/10

Jenni Durval

Quase roteirista do praça é nossa, dorameira que shippa errado, otaku que não decora o nome do anime. Animes que eu indico: Relife, Fullmetal Alchemist: Brotherhood, Nodame Cantabile

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