Pocket Monsters – Um Recomeço para Pokémon

Pokémon é sem dúvidas uma das franquias mais rentáveis da história. Não só pelos seus jogos que continuam atraindo públicos de todas as idades, mas também pelo seu grande sucesso no mundo dos animes, mangás e até na venda de seus produtos licenciados como pelúcias, pratos, roupas, mochilas e muito mais. Hoje aqui no Animystic eu irei falar um pouco sobre o novo anime de Pokémon, nomeado como “Pocket Monsters”. Também vou tentar justificar algumas decisões que a equipe do anime vem tendo desde o anime de Sun and Moon.

Um novo começo

Nunca é fácil você pegar uma franquia com um anime tão aclamado e recomeçar do zero uma história que já vinha sendo contada a mais de 20 anos. Mas eu posso dizer que as decisões desse primeiro episódio foram bem acertadas em vários aspectos. A decisão de deixar o Ash praticamente de fora do episódio foi bastante inteligente, ele e o Pikachu são a cara da franquia. Para a maioria das pessoas que estão assistindo o anime, a história do garoto nascido na cidade de Pallet não é mais novidade. Não havia necessidade alguma de contar a história do Ash mais uma vez, algo assim provavelmente iria afastar muita gente desse primeiro episódio, e com certeza iriam deixar pra assistir apenas no segundo ou até mesmo no terceiro. Afinal, ninguém quer ficar com aquela sensação de assistir algo pela segunda vez, né?

Já que o anime não poderia focar no protagonista, a decisão mais cabível provavelmente seria tentar apresentar os dois novos personagens: Go Koharu. Mas eles foram muito além disso, eles trouxeram pra história o Pikachu na sua forma pré-evoluída como Pichu, e foi através disso que eles conseguiram inserir o aspecto emocional nesse primeiro episódio. A história do Pichu, que diferente dos outros pokémons daquela área, estava sozinho, bateu bem forte nos meus sentimentos. O sentimento que ficou foi que a parte emocional desse episódio teve início, meio e fim. Com o Pichu achando sua nova família, convivendo com eles mas no final tendo que se separar de sua família, porque se via como um peso para eles.

 

A forma como trabalharam a participação de Go e Koharu também me agradou bastante. Mesmo com o episódio majoritariamente sendo focado em Pichu, eles conseguiram apresentar bem os dois novos co-protagonistas. Da para ver que Go é um garoto que tem uma paixão e um conhecimento absurdo sobre os Pokémons (para alguém da sua idade) enquanto que Koharu é alguém mais retraída, uma pessoa de poucas palavras, mas que se preocupa bastante com o seu amigo. Eu espero bastante que desenvolvam eles bastante nesses próximos episódios.

 

Eu adorei que eles colocaram o encontro do Ash e do Pikachu na perspectiva do Pokémon. Foi bem legal ver uma das cenas mais famosas da franquia sendo apresentada de uma forma diferente. No geral, eu gostei bastante do episódio. Por enquanto, eu quero ver como eles vão inserir os novos elementos dos jogos dentro dos animes. As Raids que ficaram muito famosas no Pokémon GO e que também estão presentes no mais recente jogo da franquia para Nintendo Switch vão ser bastante importantes para o andamento do anime e já estarão presentes a partir do segundo episódio.

Animação, Design e Polêmica

Bem, agora que falamos do promissor primeiro episódio da nova animação, está na hora de irmos para o passado para tentarmos entender algumas das mudanças que a franquia passou desde o anime de Sun/Moon. Para uma grande parcela do público, XY foi o ponto alto do anime de Pokémon. Um Ash mais sério que realmente parecia o líder de um grupo, um romance sendo desenvolvido, um parceiro forte com uma forma única do seu lado e provavelmente um dos rivais mais fortes que a franquia apresentou até hoje.

Tudo isso mudou quando o anime veio com sua mudança mais radical até hoje. Assim como o jogo na geração Sun/Moon teve mudanças significativas o anime também passou por várias mudanças. O design dos personagens passou a ter menos sombreamento e o foco nas feições e nas expressões fez com que todos parecessem serem bem mais jovens e inocentes. As várias cenas emocionantes da temporada anterior foram substituídas por episódios com um foco maior na comédia.

Quem mais sofreu com as críticas do público foi a animação. Mesmo que design e animação sejam duas vertentes diferentes, as pessoas tendem a ligar a qualidade do design com a qualidade da animação. O design mais simplificado de Sun/Moon trouxe uma liberdade criativa para os animadores, e a maioria deles parecia estar bastante feliz com o próprio trabalho. Desde os experientes como Masaaki Iwane até os que chegaram em pouco tempo como Shuhei Yasuda e Aito Ohashi. Mas se Sun/Moon não tem nenhum problema tão grave, porque todos os fãs mais antigos odeiam ele?

A resposta é bem simples: O anime de Pokémon não é focado em nós. Especificando, ele não é feito para o Guaraná (redator deste post) ou para o Vulpixs (Dono do Animystic – Mesmo que ele tenha altura de criança) que já estão na idade adulta. A partir do momento que eu, Vulpix ou você começamos a nos identificar mais com o Ash de XY, estava muito claro que alguma coisa estava bastante errada. Nós não somos o público alvo da Pokémon Company, o público alvo são as crianças japonesas que vão implorar pros pais uma pelúcia do seu Pokémon favorito. Claro, isso não tira o direito de você gostar ou não do anime, mas também não te da o direito de dizer que o anime não presta. A maior prova de que eles olharam pra isso foi a mudança de horário de quinta para domingo, no horário antigo, muitas das crianças e adolescentes tinham horário de clube nos seus respectivos colégios, e Pokémon perdia muito público devido a isso.

Não era novidade pra ninguém que a franquia vinha perdendo muito público pra Youkai Watch. A identificação que muitas crianças não conseguiam ter com o Pokémon, eles acharam em outra franquia. A repaginada que Pokemon deu na animação foi o suficiente pro anime recuperar bastante audiência, e eu duvido muito que eu, você ou fã mais antigo da franquia vá conseguir mudar isso, não adianta. A única conclusão que eu posso dar sobre tudo isso é que eu vou continuar aproveitando a animação, acho que ela esteja no seu momento mais Kodomo* desde o seu inicio, e nem de longe acho que isso seja ruim. Então, de fã para fã: Kimi ni Kimeta!

Pedro Guarani

Tenho 21 anos de idade, sou apaixonado pela parte técnica da animação japonesa. Escrevo sobre animação, enquanto tento engolir o fato de que meu melhor amigo me trocou pela namorada.

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