Psycho Pass — A artificialidade de um mundo de plástico

Hello gente bonita! Aqui é a Andressa e dessa vez vou falar sobre uma excelente distopia.

©Production I.G

Psycho-Pass é um anime de distopia e ficção científica produzido pelo Studio Production I.G, com autoria de Gen Urobuchi que também atuou em obras como o mangá de Fate/Zero. A série de animação conta com três temporadas, as duas primeiras podem ser encontradas no serviço de streaming Netflix e a terceira no Amazon Prime Video. Ademais, ainda existem quatro filmes.

Um chamado Psycho-Pass: The Movie.

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Sinopse: O ano é 2116 e o governo japonês começou a exportar droides tripulados e o conceito do Sistema Sibyl para diversos países, com os tentáculos do sistema se estendendo mundialmente. A união dos países do sudeste da Asia (SEAUn) introduziu recentemente o Sistema Sibyl e se encontra em fase de experimentação, e graças a ele a cidade artificial construída sobre a água, Shambala Float, desfruta de dias de paz e tranquilidade. No entanto, terroristas do Japão chegam a SEAUn e driblam o sistema Sibyl, lançando uma ofensiva ao governo central.

Uma trilogia denominada Sinners of the System lançada em 2019 no Japão.

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Com uma temática reflexiva sobre uma sociedade futurística em que a base e os pilares sociais são mantidos e controlados pelo Sibyl System, Psycho-Pass é uma obra que pode se assemelhar ao livro 1984 de George Orwell, onde o Big Brother, assim como Sibyl, vigia e manipula tudo.

”O grande irmão está observando você!”

A animação da obra é completamente fluída e as cenas de ação são excelentes, além da ambientação fazer jus ao gênero Cyberpunk.

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Um dos aspectos mais positivos do anime é a intertextualidade presente e o desenvolvimento dela no decorrer da trama com os diálogos do personagens que são extremamente ricos e coerentes com as citações. Várias figuras importantes do meio acadêmico são citadas, como por exemplo Max Weber, Nietzsche, Pascal e até mesmo o livro 1984.

©1984

A narrativa de Psycho-Pass gira em torno do Sibyl System, um sistema que é capaz de medir o coeficiente criminal de qualquer pessoa, ou melhor dizendo, o estado mental. Pelo menos é assim que no início é apresentado, mas ao transcorrer da história é mostrado que até mesmo uma Inteligência Artificial desse nível pode falhar.

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O Departamento da Segurança pública é o responsável por auxiliar Sibyl a manter a ordem no Japão, e nele trabalham os inspetores e os cães de caças que são encarregados de executarem atos que podem afetar o coeficiente criminal, uma vez que eles são pessoas que viviam em sociedade e tiveram suas matizes manchadas por alguma adversidade e tinham uma grande habilidade investigativa. Tudo isso justamente para coibir que os inspetores agravem seus estados mentais e consigam desenvolver seu trabalho com mais segurança. As Dominators, são as armas que cada um que trabalha nesse Ministério possui, elas são o coração do sistema, pois é por meio delas que a sanidade mental de cada indivíduo pode ser lida.

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A primeira temporada começa com a inspetora Akane Tsunemori que já se depara com um caso complicado, onde um estuprador faz sua vítima de refém, e o estado mental da vítima também é agravado devido ao desespero da situação. Os justiceiros tentam eliminá-la juntamente com o criminoso, mas Akane os impede pelo motivo dela saber que a refém não tinha culpa nenhuma; isso contrariava totalmente seus ideais de justiça.

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Sendo uma personagem inicialmente ingênua, Akane é forçada a crescer por causa do meio em que o Sibyl System decide que é o mais adequado pra ela trabalhar.
Por outro lado temos Shinya Kogami, um cão de caça da mesma unidade de Akane que é obcecado por vingança e tenta desesperadamente encontrar o assassino de seu antigo amigo de equipe.

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Akane e Kogami se tornam bem próximos e crescem muito juntos, e ao descobrirem que Makishima Shogo é o principal culpado do assassinato do amigo de Kogami e mentor de vários crimeis cruéis, os dois são colocados em uma condição de questionamento em relação as motivações de Shogo.

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Shogo é um leitor assíduo de vários autores clássicos e é totalmente contra o Sibyl System. Pois segundo ele, o sistema ao promover segurança para os cidadãos os privava de suas liberdades e que as pessoas só poderiam mostrar o verdadeiro esplendor de suas almas se fossem livres.

”Quero ver o esplendor das almas das pessoas. Eu quero verificar se ele realmente é precioso. No entanto, quando os seres humanos baseiam suas vidas em torno da Oracle Sibyl, sem nunca consultar suas próprias vontades, eles realmente possuem algum valor?”

Algo que em primeira instância podemos compreender. Pois será que um sistema tão artificial quanto o plástico é capaz de fornecer uma utopia sem nenhum mistério terrível por trás?

E é a partir desse momento que diversas verdades são postas em dúvidas. E cada vez mais se afundando em um paradoxo, Akane e Kogami descobrem que o sistema possui falhas.
Uma dessas falhas era que algumas pessoas seriam assintomáticas por natureza, fazendo com que o sistema seja incapaz de ler suas mentes. E Makishima se enquadrava nessa situação; mesmo orquestrando crimes cruéis e assassinando pessoas, sua matiz nunca ficava turva.

”Preocupo-me com o tipo de critério usado para dividir as pessoas em boas e más.”

É claro que o conceito de bem e mal é relativo, podendo variar de época em época, cultura pra cultura e de sociedade pra sociedade. Na de Psycho-Pass, tudo que é considerado mal, é aquilo que pode ser prejudicial para a ordem da sociedade e o sistema em si.

O importante não é que funcione, é que as pessoas pensam que funcionam.

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Em prática o sistema não era tão perfeito quanto ele parecia ser. E estaria tudo bem, desde que as pessoas acreditassem que ele era. Afinal, a segurança tem uma triste funcionalidade de fazer com que fiquemos cegos para algumas questões fundamentais e importantes que fundam nossa realidade.

Segredos permanecem para você
Não exponha as cores falsas e o futuro
As falsidades deste mundo plástico se mantém em movimento secreto

Por trás de uma sociedade perfeita, existiam aqueles que mantém o sistema funcionando apesar de suas falhas. E as pessoas que viviam em meio a esse mundo belo, jamais se dariam conta da obscuridade por trás de Sibyl, muito menos daquilo que ele era feito; uma ironia completamente absurda.

Sibyl é um monstro formado a partir do cérebro de pessoas más que governa o mundo.

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Shogo era um antagonista perfeito para Kogami. A guerra filosófica entre os dois personagens no anime é esplêndida.

Certamente eles souberam, desde o primeiro momento em que se viram, que esse era o destino deles. Não que eles fossem indiferentes, eles se entendiam profundamente melhor do que qualquer outra pessoa, e se observavam.

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Determinado a acabar com o sistema, Makishima faz de tudo para que a verdade sobre Sibyl seja revelada e Kogami, de tudo para que Shogo morra. Nessa guerra muita das motivações de Makishima são reveladas; e podemos entender o porquê de sua profunda revolta.

Me diga Kogami, quem nessa sociedade não vive sozinho?
E eu te admiro muito Kogami, porque você fez da sua solidão uma arma!

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Makishima não conseguia encontrar sentido em um mundo como o de Psycho-Pass, para ele nada ali era real, as pessoas tinham suas singularidades oprimidas pelo sistema, ninguém jamais poderia mostrar como se verdadeiramente é, e em uma sociedade sem problemas é comum que as pessoas percam seu senso crítico e se tornem apenas uma engrenagem de um sistema que elas não entendem e nem buscam entender.
Akane no meio disso tudo, entende que é importante manter a verdade sobre Sibyl em sigilo para proteger as pessoas e mesmo não concordando com a justiça dele, compreende sua essencialidade para manter a ordem.

”A lei não protege as pessoas. São as pessoas que protegem a lei.”

Na segunda temporada de Psycho-Pass, surge Kamui Kirito como principal forma de antagonismo, uma pessoa assintomática que busca questionar a cor do Sibyl System e a sua própria cor. A verdade por trás do indivíduo Kamui é tão aterrorizante quanto a do próprio sistema. Akane devido a todos os traumas sofridos se torna uma inspetora mais experiente e madura, lidando mais sabiamente com o caso, enquanto Kogami está desaparecido.

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Colocando nossas vidas em risco, pedimos a você… Sibyl… Você pode ver nossa cor? […] Sistema Sibyl… Se você se considera o Deus do julgamento, há apenas uma opção diante de você. A existência que você precisa superar para permanecer como está é bem na sua frente! Você pode nos julgar?! Você pode questionar… Nossa cor e a sua própria?!

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Já na terceira temporada, o foco principal é nos inspetores Shindou e Ignatov que tentam resolver um caso relacionado a política. Akane se encontra afastada de suas atividades laborais e tenta definir o que verdadeiramente significa a palavra justiça juntamente com a nova Unidade 1.

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Como poderia Sibyl trazer justiça se já provou ser um sistema falho inúmeras vezes?
E agora qual será o futuro da sociedade de Psycho-Pass?

Isso é tudo pessoal. Dattebayo!

Andressa Araújo

Empolgada, curiosa e ansiosa por natureza. Tenho uma enorme admiração pela cultura oriental e amo joguinhos, arte, ciência e animes. Odeio a monotonia e meu maior sonho é criar uma máquina do tempo para impedir os portugueses de fazerem merda em território alheio. Animes que eu indico: Steins;gate, Mekakucity Actors, Fullmetal Alchemist e Sangatsu no Lion.
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