Revisitando obras: One Piece por Mamoru Hosoda

One Piece é um dos maiores mangás de todos os tempos. Não há outro mangá na história que tenha vendido tanto quanto a obra de Eiichiro Oda. Também não é exagero dizer que todo fã de mangá e anime conhece a obra, gostando ou não, a obra alcançou o ponto mais alto do mundo editorial de mangás e agora reina no topo da revista de mangá mais famosa do mundo: A Weekly Shonen Jump. Comemorando o mais recente lançamento do filme Stampede e o aniversário de Mamoru Hosoda, um dos diretores mais influentes no mundo da animação japonesa. Hoje, eu irei voltar ao ano de 2005 para falar de One Piece movie 6: Baron Omatsuri and the Secret Island. Nesse texto, irei comentar sobre o filme, mas também dando destaque ao Hosoda e suas divergências com Hayao Miyazaki durante seu período no Studio Ghibli.

História do filme

O plot é bem semelhante a vários dos outros filmes/episódios não canônicos de One Piece. Durante o seu caminho pela Grand Line, Luffy e o resto do seu bando recebem uma carta falando sobre a ilha Omatsuri. Quando chegam até a ilha, são surpreendidos pelo Barão Omatsuri e o resto do seu bando. O barão oferece ao bando uma quantidade gigantesca de mordomias, mas para isso eles teriam que passar por um certo desafio. Omatsuri diz que apenas aqueles que confiam em seus companheiros conseguiram passar por esse teste.

One Piece©/Shueisha©

O primeiro ”Teste” foi uma captura a um peixe gigante, onde um membro da tripulação do Barão Omatsuri iria disputar contra alguns dos membros do bando do chapéu de palha. O que não fez muito sentido, já que depois de um certo tempo todos os membros da tripulação já haviam atacado o peixe gigante. O timing que cada personagem teve nessa disputa foi bem interessante, já que não foi uma sequência tão longa, e mesmo assim conseguiu fazer com que todos os membros pudessem ter sua chance de brilhar. Além disso tudo, ainda teve a ótima animação e trilha sonora (Iremos comentar mais sobre isso no próximo tópico!) que encaixou muito bem com a cena.

One Piece©/Shueisha©

O segundo desafio é uma corrida de captura através dos canais de uma cidade. Cada time contava com duas equipes de dois jogadores em cada gôndola, onde o objetivo era capturar os membros da equipe adversária usando boias. Toda a sequência faz referência aos famosos canais de Veneza, e é de longe a melhor parte de ação no filme. Todo o storyboard é bastante bem feito e as perspectivas de câmera que Hosoda utiliza conseguem fazer com que o público realmente se sinta dentro dos famosos canais de uma das cidades mais famosas do mundo inteiro.

One Piece©/Shueisha©

É durante a competição dos canais que somos apresentados ao real plot do filme. Desde o começo, Robin já tinha percebido que havia algo de estranho com a ilha e com o Barão Omatsuri. É aí que começa a ser presente uma das maiores características de Robin durante o começo de One Piece, ela era uma exímia arrancadora de informações. E para ela foi fácil conseguir arrancar várias informações importantes de um dos subordinados do vilão.

One Piece©/Shueisha©

O que me deixou mais feliz durante essa parte do filme foi a grande participação do Chopper. Geralmente a obra tende a elevar personagens como Sanji ou Zoro e acaba deixando de lado alguns dos outros membros da tripulação. É importante relatar que é necessária a participação de todos os membros da tripulação no filme, já que uma das bases da história é a amizade e a lealdade com os seus companheiros. Tanto que no meio do filme nós vemos que a discussão entre os personagens é bem diferente do que a que comumente vemos no anime. É bem normal ver Sanji e Zoro brigando, mas você consegue sentir que dessa vez a situação é algo bem mais sério. Esse tipo de aspecto é importante, porque coloca em dúvida a lealdade e a amizade entre a tripulação, e trás a tensão pro telespectador.

One Piece©/Shueisha©

O que mais me decepcionou na história foi a falta de background para o vilão e seus companheiros. A única coisa que da para falar bem da parte final do filme é o bom momento de tensão entre Luffy e o Barão. E mesmo você conseguindo sentir a raiva de Luffy por perder seus companheiros, você não consegue entender muito bem o que o Barão sente, porque muito pouco foi mostrado do que aconteceu com ele e sua tripulação. O que salva a parte final da história são as boas decisões artísticas de Hosoda e o grande trabalho na animação feito pela sua equipe. Mas fica muito claro que a parte mais fraca do filme são os seus 30 minutos finais.

Direção de Hosoda e sua época de Ghibli

Mamoru Hosoda era um prodígio naquela época. Após trabalhos espetaculares em Digimon, o jovem diretor atraiu a atenção do estúdio Ghibli e foi selecionado para ser o diretor de Howl’s Moving Castle. Mas o que parecia ser a grande chance de Hosoda começou a virar o seu maior pesadelo. Não é segredo para ninguém que Hayao Miyazaki é uma pessoa difícil de se lidar, alguns ex-funcionários do estúdio costumam dizer que ele era quase como um Yakuza no comando do estúdio. E por divergências criativas, Hosoda decidiu sair do projeto no meio, e naquele momento ele achou que sua carreira havia acabado. Retornando a Toei logo depois de sua saída do estúdio mais famoso do Japão. O diretor foi o escolhido para dirigir o filme número 6 de One Piece, a obra já era uma das mais famosas do mundo na época e também era o pilar da maior revista de mangá do país.

Falando um pouco da direção do filme: A primeira coisa que vale a pena destacar é a absurda mudança de character design. Diferente do estilo mais cartoon presente no anime e no mangá, Hosoda levou seu próprio estilo para obra retirando o sombreamento de todos os personagens. Eu já havia falado aqui no animystic em algumas análises de Kaguya Sama: Love is War que tirar o sombreamento dos personagens tem como objetivo deixar o design um pouco mais real e elevar mais a demonstração de emoção. Para mim, o estilo de design desse filme cai muito bem com o estilo mais dark da história e com a fotografia que Hosoda geralmente usa.

One Piece©/Shueisha©

O uso de trilha sonora foi algo de bastante destaque durante grande parte do filme também. Hosoda as vezes tem uma visão mais ocidental em suas histórias e definitivamente as suas trilhas sonoras parecem mais ter saído de um filme da disney do que do mundo dos animes. A minha favorita é a que toca durante grande parte da primeira competição, deu um ar bastante caribeño naquela parte em específico. Quanto a animação, os backgrounds 3D provavelmente irritaram grande parte dos fãs que assistiram o filme, mas a cena mais impressionante veio de uma perspectiva em primeira pessoa da floresta onde há apenas as vozes do bando e um background 3D da floresta se movimentando como se eles tivessem caminhando em direção a algo.

One Piece©/Shueisha©

Conclusão

Apesar de ser um filme muito bom em aspecto artístico, Baron Omatsuri and The Secret Island peca muito no desenvolvimento de vários personagens importantes pro andamento da história. Fica muito difícil você entender a motivação do Barão sem você ter desenvolvimento no background dele, e apesar de ter uma introdução quanto a história deles, você sente um lapso de informação em alguns pontos da história. O que salva a direção de Hosoda é a coragem dele de trazer algo diferente pro mundo de One Piece, talvez a maioria dos fãs tenha odiado a junção de 2D com 3D que o filme traz, mas esse com certeza é o pedaço de One Piece mais criativo e diferente que tem.

Nota para o filme: 4/5

Pedro Guarani

Tenho 21 anos de idade, sou apaixonado pela parte técnica da animação japonesa. Escrevo sobre animação, enquanto tento engolir o fato de que meu melhor amigo me trocou pela namorada.

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