Sui Ishida — A tragédia em Tokyo Ghoul

Hello pessoal, aqui é a Andressa e dessa vez vou falar de uma obra que é bastante importante pra mim!

Tokyo Ghoul é uma obra escrita por Sui Ishida, publicada pela primeira vez em 8 de setembro de 2011 na revista Young Jump e adaptada pelo Studio Pierrot para anime em julho de 2014. Contudo, a primeira temporada da série em animação foi bem aclamada pelo público, porém as outras três deixaram a desejar pela péssima qualidade técnica e pelo desenvolvimento do roteiro acelerado.

©Tokyo Ghoul – Pierrot

Por outro lado, a trilha sonora do anime é esplêndida e consegue em todos os sentidos acompanhar e transmitir os dilemas e crises existenciais do protagonista Kaneki Ken. Algumas das músicas são feitas pelas bandas TK from e Amazarashi que são bem presentes no mundo sonoro das animações japonesas e possui uma vertente ao todo mais profunda em questões existencialistas.

©Sui Ishida

Sui Ishida é o pseudônimo do autor e ilustrador do mangá de Tokyo Ghoul e não há evidências de quem ele possa ser na vida real. Tudo que se sabe sobre, é que ele já foi tatuador, trabalhou como ajudante de Yoshihiro Togashi (autor de Hunter X Hunter), desenhou uma capa de álbum para a banda Amazarashi e se identifica com o personagem Kazuo iochida de sua obra.

É claramente perceptível que Ishida aprecie obras como A Metamorfose de Franz Kafka e Osamu Dazai, autor de uma obra bastante popular no Japão, traduzida como Declínio de um homem no Brasil. Ambos os livros trazem a tona, a estigmatização social de indivíduos em sociedades decadentes.

© A Metamorfose

Em A Metamorfose, Gregório Samsa (protagonista do livro) percebe que seu corpo e suas necessidades estavam se modificando e, logo então se vê transformado em uma barata. E mesmo tendo acordado como um inseto, sua principal preocupação é a de como ele conseguiria ir pro trabalho, essa simples atividade acaba se tornando algo completamente burocrático. Sua família por outro ângulo, começa a indignificá-lo simplesmente pelo fato dele não poder mais trabalhar nessa forma.

O que acaba sendo algo muito comum em nossa sociedade atual, onde a condição de dignidade de um indivíduo está ligada diretamente ao trabalho, status e poder aquisitivo.

Já sobre a obra de Dazai, Declínio de um homem, você pode saber um pouco mais clicando aqui.

Ambas obras são muito citadas em Tokyo Ghoul, e o livro A Metamorfose foi o que serviu de inspiração para criar o protagonista Kaneki Ken que assim como Gregório, se transforma em uma barata, certo dia se vê transformado em um ghoul (seres que comem carne humana).

Além disso, o sobrenome de Kaneki é uma referência ao escritor Dazai que nasceu em Kanagi (os nomes possuem o mesmo Kanji).

É impressionante como obras literárias do passado podem contribuir para novas criações literárias e  influenciar autores em suas obras, tornando-as mais ricas e bem embasadas.

©Tokyo Ghoul – Pierrot

A HISTÓRIA DE TOKYO GHOUL

A história é a de Kaneki Ken que sempre fora uma pessoa doce e gentil mesmo perdendo seu pai muito cedo, e com 10 anos sua mãe, que morreu por excesso de trabalho (algo muito comum no Japão).

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Sua mãe trabalhava muito para suprir as necessidades de sua tia egoísta que sempre a procurava para conseguir dinheiro.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Com uma infância difícil, Kaneki passou a ler muitos livros que encontrava na estante de seu pai falecido, passando a maior parte do tempo sozinho.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Os livros tornaram uma forma de refúgio da realidade para ele.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

O único amigo que fez em seu ensino fundamental foi Hide, que se tornou alguém para a sua vida inteira.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

No entanto, a vida de Kaneki se transforma completamente em tragédia quando ele conhece Rize Kamishiro. Ao acompanhá-la para ir embora, ela se transforma em uma ghoul e tenta devorá-lo. E por sorte, ou não… Uma viga cai em cima da Rize e os dois são levados para o hospital.

Para tentar salvar a vida do protagonista, o médico faz um transplante de alguns órgãos dela para ele.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Certamente seria… Uma tragédia.

A partir desse momento Kaneki jamais poderia sentir novamente o que é ser um humano, devido ao fato que esse transplante o transformou pela metade em ghoul.

©Tokyo Ghoul – Pierrot

Desde então o nosso protagonista começa a viver uma tragédia.

Ken resistiu fortemente antes de se aceitar como um ghoul e começar a comer carne humana. A Anteiku (café que Kaneki frequentava com Hide), era uma espécie de organização ghoul pacífica que se camuflava entre os humanos e o gerente dela Kuzen Yoshimura, acolheu Kaneki Ken em seu recinto.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Sendo assim, Ken conheceu os dois mundos e viu que mesmo sendo ghouls, eles ainda possuíam humanidade e agiam como uma família de verdade, sempre se ajudando.

Tudo isso fez com que Kaneki entrasse em um profundo dilema existencial para decidir qual seria o seu lugar no mundo.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Sendo uma pessoa muito gentil, Ken poderia se tornar uma ponte para alcançar a paz entre ghouls e humanos; era nisso que Kuzen acreditava fortemente.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Mas de um instante para outro, coisas trágicas começam a acontecer e Kaneki começa a perder pessoas que eram importantes pra ele.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Toda a gentileza de Ken é deixada de lado quando ele percebe que para proteger as pessoas que ama terá que se tornar mais forte.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Dessa forma, Kaneki se transforma completamente em outra pessoa se tornando cruel.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Quando a CCG (Comissão de Contra Medidas Ghoul) começa a execução do plano de exterminar todos os ghouls, a situação no mundo começa a ficar tensa e Kaneki passa a se alimentar de outros ghouls para se tornar um Kakuja (ghouls que se transformam por se alimentar da sua própria espécie).

Cada vez mais se perdendo em um abismo, Ken deixa sua filosofia de não machucar os outros de lado, se tornando alguém irreconhecível diante de quem ele um dia já foi.

Todos esse ferimentos foram causados pelo destino que eu escolhi
Para perseguir, para perseguir
Mesmo que eu acabe sendo pego
Você ainda vai me apoiar mesmo que eu não seja mais eu?
Esse não sou eu, não pode ser eu
Tem que ser eu — colapso!

Katharsis

(Abertura)

Em meio a tanta dor, perdas e torturas é comum que as pessoas se modifiquem. Kaneki foi torturado friamente por Arima Kishou (conhecido como o Deus da Morte da  CCG) ao tentar proteger as pessoas que trabalharam com ele na Anteiku; perdendo dessa forma, sua memória e se tornando alguém gentil novamente. Com isso, o CCG o adotou para ser um ghoul investigador, ou melhor dizendo um Quinx, e mais uma vez ele tem que se adaptar com uma nova personalidade e seu novo esquadrão Quinx.

E é no meio disso, que Kaneki aprende sobre os dois mundos e entende que não são os ghouls, muito menos os humanos que estão errados. O mundo é, e sempre foi assim, enquanto uns ganham, outros perdem. É a realidade tal como ela é, simplesmente existindo.

Querendo proteger e salvar todo mundo, Kaneki esqueceu de algo muito importante: salvar a si mesmo.

Ninguém é capaz de salvar outra pessoa, sem antes se curar por dentro.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Seu amigo Hide, mesmo descobrindo que ele era um ghoul continuou do seu lado e sabia o quanto seu melhor amigo de infância sofreu por viver entre dois mundo, e também por carregar dores profundas consigo mesmo de sua infância.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Com um passado doloroso e a inconstância que sempre o perseguia, Ken se sentia paralisado. E ao lidar com seus sofrimentos, aceitando a si mesmo, finalmente conseguiu encontrar sua paz.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

Mesmo quebrado, continuo a viver; um encerramento inesperado
Com um coração que foi quebrado tantas vezes, continuo em frente
Toda vez que respiro, meu corpo continua a enferrujar
Eu só preciso aceitar as minhas partes que caem enquanto sigo lutando

Com um rosto que não mostra resposta a sua elegia
No meio da noite, começo a respirar

Asphyxia

(Abertura)

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

A verdade é que tentar salvar a nós mesmos é algo muito difícil… Pois temos que lidar com nossos conflitos existenciais, dores, problemas diários e dilemas. E como alguém, assim como Kaneki tentou, conseguiria salvar o mundo e as pessoas que amava, estando completamente perdido?

Antes de tudo e qualquer coisa é importante que nos curemos, para assim então podermos ajudar os outros.

Tokyo Ghoul é uma obra que fala sobre a importância de entendermos uns aos outros, da importância de aceitar quem somos e de aprendermos que nem todas as coisas estão ao nosso alcance. As fraquezas são partes da nossa natureza humana e tudo bem, ninguém é imbatível.

E quanto ao mundo; é claro que nele existe coisas dolorosas e pessoas sofrendo, — mesmo a maior parte desse sofrimento estando invisível aos nossos olhos.

E apesar de tudo, é tudo o que temos.

©Tokyo Ghoul – Sui Ishida

A vida é uma tragédia…

Fútil.

Mas ainda assim, mesmo que saibamos que nosso futuro é perder alguma coisa.

Continuaremos ansiando por ela.

Sui Ishida

Isso é tudo pessoal. Espero que tenham gostado!

Andressa Araújo

Empolgada, curiosa e ansiosa por natureza. Tenho uma enorme admiração pela cultura oriental e amo joguinhos, arte, ciência e animes. Odeio a monotonia e meu maior sonho é criar uma máquina do tempo para impedir os portugueses de fazerem merda em território alheio. Animes que eu indico: Steins;gate, Mekakucity Actors, Fullmetal Alchemist e Sangatsu no Lion.
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