VOCALOID: Surgimento e Popularização de um Fenômeno Mundial

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Primeiramente, bom dia, boa tarde e boa noite! Olha eu aqui de novo, isso mesmo… Sou eu, o Bochecha. Então, vim trazer para vocês um conteúdo diferente dessa vez, desde já espero que gostem.

VOCALOID: Surgimento e Popularização de um Fenômeno Mundial

Hatsune Miku. Se esse nome lhe soa familiar, saiba que ele bem que deveria. No primeiro semestre de 2016, mais especificamente entre abril e junho, a cantora fez um tour por dez cidades dos Estados Unidos, o que atraiu alguma atenção da mídia. O site Houston Press publicou um artigo de autoria de Cory Garcia, sobre um dos concertos, e mesmo aqui no Brasil o site Expresso fez um artigo sobre a cantora, se aproveitando da época, iminente início do tour. Mas claro, essa não é nem de longe a primeira vez que Miku chama a atenção. Em 2011, ela foi garota propaganda de uma série de comerciais da Toyota dos Estados Unidos, ao passo que no ano seguinte, 2012, ela serviu para promover o navegador Google Chrome, no Japão. Isso sem mencionar 2014, quando ela abriu alguns dos shows da turnê da Lady Gaga, iniciados em maio daquele ano. Ela inclusive, já integrou um dos rankings da revista Time: o de personagens fictícios mais influentes de 2014. Ela ficou em 8º lugar, à propósito.

Hatsune Miku (初音ミク), cujo nome significa algo como; “O Primeiro Som do Futuro”, não é real, ou no mínimo, não é de carne e osso: antes, trata-se de um programa, um software. Mais especificamente, uma voz sintética, que qualquer um que compre o programa pode usar, geralmente para criar musicas. E acreditem: pessoas compram. Lançado em 31 de agosto de 2007, em apenas 12 dias Miku já havia se tornado o software número 1 em vendas na Amazon japonesa, e só em seu primeiro ano totalizaria mais de 40.000 cópias vendidas. De lá até aqui, a personagem certamente percorreu um longo caminho, com sua popularidade aumentando cada vez mais. Uma realidade que, inevitavelmente, nos faz perguntar: como, exatamente, chegamos até aqui? E mais importante: como pôde uma voz artificial despertar tamanho interesse nas pessoas? Assim, vamos falar um pouco sobre um fenômeno que vem impactando em maior ou menor grau ao mundo inteiro. Esta é a história do projeto VOCALOID.

Mas o que é VOCALOID?

Antes de mais nada, vamos entender melhor sobre o que, exatamente, nós estamos falando. Segundo seu site oficial em inglês, VOCALOID é: “uma tecnologia e software de sintetização de voz”, com sua criação sendo creditada à corporação Yamaha, um conglomerado multinacional, que oferece uma vasta gama de produtos, incluindo ai instrumentos musicais, equipamentos eletrônicos e, como alguns já devem imaginar, motos. Já o próprio site da Yamaha é ligeiramente mais prolixo, afirmando que VOCALOID é “uma tecnologia de sintetização de voz para canto e seu software de aplicação”. Agora, é importante também apontar que essa tecnologia, em si, não é vendida como um produto comercial. Antes, ela é licenciada para empresas que então a usam para criarem os seus próprios produtos. Hatsune Miku, por exemplo, é uma criação da empresa Crypton Future Media.

©Yamaha

 

Como esse software  é usado?

E como exatamente as empresas, usam essa tecnologia? Honestamente, é um processo bem mais complicado do que parece. Quem se interessar por detalhes, eu recomendo lerem o artigo de 2007, “VOCALOID  Commercial singing synthesizer based on sample concatenation”(“VOCALOID Sintetizador comecial de canto baseado em concatenação de amostras”, em tradução livre), de Hideki Kenmochi e Hayato Ohshita, do “Center for Advanced Sound Tecnologies” (“Centro para Tecnologias de Som Avançadas”, também em tradução livre), pertencente à própria Yamaha. Para este texto, porém, será suficiente que o leitor saiba que a tecnologia funciona obtendo uma amostra de voz humana, com uma pessoa que fornece a amostra sendo chamada de provedor, que é então, “quebrada” para formar os diversos fonemas (sílabas) que irão compor o voicebank (“banco de voz”) do produto final: um vocaloid.

©Yamaha

É válido ressaltar que, o fato de cada vocaloid ter o seu próprio provedor (com uma só exceção notável: os vocaloids Kagamine Rin e Kagamine Len,), permite que suas vozes sejam bem distintas. A manipulação da voz conforme o vocaloid é desenvolvido, ainda, permite ao produto final ter uma voz mais realista ou mais robótica, mais adulta ou mais jovem, mais masculina ou mais feminina, e por ai vai, de forma que raramente dois vocaloids soarão parecidos.

A título de curiosidade, a voz da Hatsune Miku foi modelada a partir da voz da dubladora Saki Fujita, (voz da Ritsu de Ansatsu Kyoushitsu e da Ymir, de Shingeki no Kyojin, entre outros papéis), mas já saibam que nem todo vocaloid tem o seu provedor divulgado, algumas vezes por questões legais,  sobretudo no caso de vocaloids cujos provedores ainda eram menores de idade, na época que forneceram a amostra , e outras a pedido do próprio provedor, que prefere permanecer no anonimato.

©Yamaha

Os fãs

Uma vez que a comunidade de fãs cresceu e se consolidou, muito mais surgiu. Algumas coisas, feitas por fãs, a exemplo do software UTAU. Seguindo o mesmo princípio tecnológico do programa VOCALOID, UTAU é gratuito, e por isso permite a qualquer um transformar a própria voz em um “utauloid”, como são chamados os voicebanks produzidos com UTAU. Atualmente existem literalmente centenas de utauloids, o mais famoso sendo a quimera de trinta anos com cara de quinze; Kasane Teto, que possui uma interessante história por trás de sua criação, mas que não compensa detalhar aqui. Ou ainda, outro exemplo de um produto feito por fãs; é o Miku Miku Dance (MMD), que permite animar modelos 3D. Originalmente, ele surgiu para animar modelos de alguns vocaloids, mas atualmente ele é capaz de animar praticamente qualquer coisa, e já tivemos inclusive um anime feito com o software, Chokkyuu Hyoudai Robot Anime, que não tem absolutamente nenhuma relação com vocaloids.

O que começou de forma ainda nebulosa no final dos anos 1990, e ganhou forma concreta com o avançar dos anos 2000, é hoje uma força que merece reconhecimento. Em todos os lados, diga-se de passagem. Às diferentes pessoas envolvidas na criação do software, e dos diferentes voicebanks certamente, mas também aos fãs, eles próprios muitas vezes criadores, e compositores, que conseguiram dar um ar humano mesmo a uma voz artificial. Quando nos diversos shows “ao vivo”, nos quais uma projeção de alguns vocaloids, cantam para uma plateia de centenas de pessoas, os fãs gritam, comemoram e aplaudem, essa reação não é simplesmente para uma imagem projetada em uma tela, mas sim para tudo o que ela significa, e representa: a própria comunidade.

©Yamaha/Show “ao vivo” de Hatsune Miku e Kagamines Rin e Len.

Enfim, foi um diferenciado no conteúdo, então, espero que tenham gostado. Dessa forma, vou ficando por aqui, até mais. Logo voltarei!

Felipe Silva

Tenho 19 anos, moro em Pernambuco, estudante de TI, estou sempre em busca de aprendizado. Sou amantes dos animes, e não sou lolicon. Animes que eu indico: Steins;Gate, Shigatsu wa Kimi no Uso e Yuru Camp

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