Análise de The Great Pretender e o maior roubo do século

Arte promocional The Great Pretender

© The Great Pretender, Netflix

Olá a todos! Aqui é o Bruno, também conhecido como D.A.(Doctor Anime) e hoje vamos analisar o anime The Great Pretender e o maior roubo do século ! 

Sobre a obra

The Great Pretender é um anime original de uma parceria entre a famosa Netflix e o estúdio Wit(conhecido pela obra Attack on Titan). A obra tem como gênero comédia e o subgênero drama policial. 

Sua história é contada sobre a ótica do japonês Makoto Edamura, um rapaz que se auto intitula “O maior vigarista do Japão”. Todavia, Edamura acaba falhando em um de seus golpes e acaba tendo de trabalhar para Laurent Thierry, um vigarista internacional que ao notar o potencial de Makoto, decide treiná-lo para se tornar um vigarista melhor.

Makoto Edamura e Laurent

© The Great Pretender, Netflix

Sobre a staff.

O anime é dirigido por Hiro Kaburagi, ele atuou em obras como Tonari no Kaibutsu-kun, Guilty Crown, Rurouni Kenshin, Hunter X Hunter e sua mais recente obra como diretor foi 91 Days. O roteiro conta com Ryouta Kosawa, pouco conhecido entre os fãs de anime, porém um experiente escritor de dramas e filmes voltados ao público japonês.

Já na parte musical, a mesma é feita por Yutaka Yamada, músico e compositor conhecido por obras como Tokyo Ghoul, Babylon, Vinland Saga e outros filmes.  Destaca-se também a criatividade de Yutaka ao designar a música de encerramento como um cover da música “The Great Pretender”, do vocalista Freddie Mercury.

Nas vozes, Makoto Edamura é interpretado por Chiaki Kobayashi (Askeladd em Vinland Saga). Temos também a presença de Junichi Suwabe(Yami em Black Clover) e Mie Sonozaka(Shimura Nana em Boku no Hero ).

Enfim, um elenco de nomes relevantes e que juntos formaram uma das melhores obras de 2020 (na opinião deste humilde redator).

The Great Pretender e o maior roubo do século

Toda história tem seu começo e quando se fala sobre histórias de policiais e roubos não poderia ser diferente. Inicialmente, o anime aborda a tática de contar a história via um flashback. Somos primeiro mostrados ao resultado final do primeiro episódio e de forma regressiva a relação entre Laurent e Makoto é montada.

A forma como a obra toda é montada remete bem a outras do gênero, elementos presente em Sherlock Holmes ou nos livros de Agatha Christie podem ser observados em The Great Pretender. Destes, pois bons exemplos são: “ O mistério por trás do verdadeiro vilão” e os “plot-twists”.

Arte promocional The Great Pretender

© The Great Pretender, Netflix

Sobre o primeiro, em boa parte dos episódios da primeira temporada ficamos com dúvida na cabeça de quem é, de fato, o verdadeiro vilão da história. Quais são suas motivações e para onde o enredo vai? O segundo, uma técnica já bem conhecida na indústria, trata-se de revirar o enredo a partir de descobertas dos personagens.

Sobre o Enredo

Apesar de acontecer com foco no Makoto Edamura, a narrativa divide-se em “sagas” chamadas de cases. Ao todo, temos feitos até o momento quatro cases, Los Angeles Connection, Singapore Sky, Snow of London e o mais atual, The Wizard of Far East. Como o nome sugere, cada case acontece em diferentes partes do mundo, cada um com sua própria história.

Então, podemos dizer que The Great Pretender se assemelha muito ao formato de contos, também praticados em famosas obras do gênero policial, ainda que não siga canonicamente o formato. É interessante ver como cada case (leia-se conto) se desenvolve ao longo dos episódios. De uma forma geral, cada temporada abrange dois casos, resultando em duas temporadas já disponíveis na Netflix do Brasil.

Ainda que feita em contos, também há uma trama principal que percorre toda a obra junto de Makoto e seu grupo, essa é desenvolvida no formato de uma novela com traços de romance picaresco. O passado de cada um dos integrantes é explorado e suas visões de mundo apresentadas, o que nos confunde, como telespectadores, se aquele grupo na verdade se trata de heróis ou vilões.

Nesse ponto, a maestria de Ryota Kosawa vem à tona, ao conseguir administrar e desenvolver bem duas narrativas que vão acontecendo simultaneamente, a dos personagens do Time Confiança (Laurent e seu grupo de vigaristas) e dos cases em si. 

Promotional Art The Great Pretender

© The Great Pretender, Netflix

Sobre os personagens 

Cada case conta com seus personagens principais próprios, porém como dito antes, há uma esfera fora dos casos, a do Time Confiança. Sobre eles, temos quatro personagens principais: Makoto Edamura, Laurent Thiery, Abigail Jones e Cynthia Moore. Cada qual com suas particularidades e princípios, todos se entrelaçam através das regras do grupo e suas vontades e origens vão sendo apresentadas no decorrer da obra.

Ainda sobre o quarteto, é notável que há uma preocupação de Kosawa ao tentar incorporar alguns arquétipos aos personagens, uns mais comuns em histórias policiais e outros de forma mais geral nas narrativas. Christopher Vogler, autor do livro “A Jornada do Escritor” explica, através das teorias do psicólogo Yung, que os arquétipos são personalidades já esperadas pelas pessoas em livros, sempre há o herói, o vilão, o mentor, os escudeiros do herói, entre outros. Esses arquétipos têm características bem definidas e se cristalizaram no coletivo das pessoas, os quais nós invocamos nas leituras.

Desse modo, Laurent Thiery é o típico herói picaresco. Alguém já experiente na arte de roubar, mas que tem motivações  além de só cometer o crime, algumas até boas. Além disso, há uma inspiração nele com o famoso personagem Arsene Lupin, um personagem também herói picaresco e famoso na literatura francesa clássica. Ao mesmo tempo, ele exerce o papel de mentor para Edamura ao auxiliá-lo no papel de evolução do seu mundo para o novo.

Abigail Jones caracteriza-se pelo seu mistério, é a personagem que frequentemente irá trazer dor de cabeça para Edamura, mas responsável também por impulsionar o seu crescimento ao sempre apresentá-lo aos desafios. Podemos ver nela um pouco do arquétipo do escudeiro.

Cynthia Moore é a típica Femmele Fatale. Um arquétipo que preconiza a mulher sedutora, que sabe usar sua beleza para seu proveito, muito presente nas obras do gênero policial. Há uma semelhança dela com a personagem Irene Adler dos contos de Sherlock Holmes.

Por fim, o protagonista, Makoto Edamura. Auto-intitulado “o melhor vigarista do Japão”, Makoto é um rapaz novo, habilidoso no que faz, porém ingênuo. Ele passa pela sua própria Jornada do Herói dentro do seu mundo, sai do seu pequeno “reinado” no Japão  e é exposto à quadrilha internacional de Laurent e ali começa sua nova experiência de jornada, passando por desafios, evolução e recompensa.

Time da Confiança reunido

© The Great Pretender, Netflix

Sobre a animação e música.

No quesito de animação, há bastantes semelhanças com algumas escolhas feitas por Hiro Kaburagi em 91 Days, principalmente no quesito de fotografia e iluminação. Entretanto, a maior diferença encontra-se na paleta de cores, ao invés de adotar algo mais voltado ao “Noir”, como tons mais escuros, a equipe apostou em cores vibrantes, usando técnicas como aquarela, lembrando até mesmo um pouco de Beastars. Mas que felizmente, no fim, casam muito bem com a obra.

Scenario Art The Great Pretender

© The Great Pretender, Netflix

No cenário, há uma genialidade da equipe em conseguir retratar fielmente as cidades nas quais os cases acontecem e você sente-se imergido naquelas cidades, elementos como vestuário, arquitetura, edifícios, até plantas mudam de um cenário para outro. É notável que houve essa preocupação na hora das escolhas e com certeza a parte visual de The Great Pretender é um show a parte.

Scenario Art

© The Great Pretender, Netflix

A música, como esperado do compositor Yutaka, é rica e acompanha a intensidade da obra, as escolhas de OST’s são bem vindas e sem contar a felicidade do músico ao inserir um cover da música homônima à obra, de autoria do Freddie Mercury, o que dá um charme a mais para o encerramento.

Hollywood the great pretender

© The Great Pretender, Netflix

Mais uma vez, obrigado pelo tempo e espaço de leitura

No fim do dia, o original da Netflix mostra-se como um título forte para o ano conturbado de 2020, um título inesperado, e que demonstrou a vontade da plataforma de Streaming em continuar trazendo mais títulos originais para seu catálogo e sua capacidade em criar obras de excelente qualidade.

The Great Pretender é sim um grande acerto da Netflix e com certeza vale uma maratona.

Você já pensou como que os roteiristas pensam sobre política em suas obras? Não? Então leia este texto e descubra como Anime e Política se misturam!

Links para as referências estão logo abaixo:

  • https://myanimelist.net/anime/40052/Great_Pretender
  • https://myanimelist.net/people/8461/Hiro_Kaburagi
  • https://myanimelist.net/people/47439/Chiaki_Kobayashi
  • https://myanimelist.net/people/95/Junichi_Suwabe
  • https://myanimelist.net/people/602/Mie_Sonozaki
  • A Jornada do Escritor – Chirstopher Vogler

Bruno Rezende

Estudante, 23 anos, curioso e leitor assíduo. Apaixonado por animes, e sempre afim de aprender.
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