Anime & Ciência – Lelouch e o dilema do Príncipe de Maquiavel

Lelouch e o dilema do Príncipe de Maquiavel

Olá! Aqui é o Bruno, também conhecido como D.A.(Doctor Anime) e hoje vamos falar sobre Anime & Ciência – Lelouch e o dilema do Príncipe de Maquiavel em um só post 🙂 

Talvez você já tinha visto a obra Code Geass: Lelouch of the Rebellion, escrito por Ichiro Okouchi e Heki Kawahara, a obra trata de um futuro distópico em que, através do avanço da tecnologia bélica, o antigo império do Reino Unido conseguiu expandir sua dominação para outras partes do mundo, criando um gigantesco império Britânico que mantém sua hegemonia pela maioria do globo.

Em meio a essa conjectura, um jovem chamado Lelouch decide desafiar essa situação e quebrar o domínio do Império, para essa persona revolucionária, o rapaz adota o nome de Zero.

Zero ( Lelouch ) - Code Geass

© Code Geass, Sunrise

Se você viu a obra, deve ter visto muitas vezes que Zero tem diversas faces, hora gentil, hora impiedoso, sanguinário, perverso, muito inteligente, frio. Todavia, quando olhamos para Zero como um ser político, sua visão na verdade pode ser bem similar a de um filósofo do mundo moderno: Maquiavel.

Nicolau Maquiavel (1469-1527) foi um filósofo, historiador, poeta, entre outras coisas, que dentre suas obras destaca-se a obra “O Príncipe”, um pequeno “guia” endereçado para um governante imaginário, nomeado como “Príncipe”, que ensina a ele como governar o seu povo.

Nesta obra, Maquiavel propõe vários questionamentos que devem ser feitos pelo Príncipe a respeito da sua forma de dominar o povo, você já deve ter ouvido falar na escola ou estudado sobre esse filósofo, suas frases como “Ser amado ou ser temido?”

Capa original da obra

© Wikipedia, Capa original da obra

O lobo ou a raposa?

Esse é um dos grandes dilemas propostos por Maquiavel em sua obra, o Príncipe deve ser destemido como um lobo, ou ardiloso como uma raposa? Zero, ao longo da obra, deixa à mostra seu caminho como uma raposa, alguém ímpar no âmbito da estratégia e com alto teor de persuasão de seus aliados e inimigos, o revolucionário consegue ir explorando as brechas dadas por seus adversários, trazendo promessas e esperanças para o povo dominado, com o discurso de um novo amanhã.

Todavia, nem Maquiavel e Zero defendem que o governante deva ser apenas a raposa. Ao ser apenas ardiloso, o filósofo afirma a derrocada do Príncipe, pois seus inimigos verão fraqueza na sua falta de coragem, o pressionarão, e quando tiverem a chance, tomarão seu poder como bestas famintas.

Assim, Zero apesar de ser muito parecido com a raposa, não fica para trás nesse quesito, pelo contrário, desafiar o status quo de um Império gigantesco, com poucos recursos, apenas usando a palavra como força motriz para acumular forças ao seu lado, Lelouch torna-se um verdadeiro mestre na arte da estratégia e da tomada de poder, não pendendo totalmente à raposa ou ao lobo.

Chega, portanto, ao estágio ideal pensado por Maquiavel, o equilíbrio entre ambos.

Mas qual é o verdadeiro dilema do Príncipe em Lelouch ?

É melhor que o Príncipe seja amado ou seja temido ? 

“ O ideal é ser as duas coisas, mas como é difícil reunir as duas coisas, é muito mais seguro – quando uma delas tiver que faltar – ser temido do que amado. Porque, dos homens em geral, se pode dizer o seguinte: que são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, fugidios ao perigo, ávidos do ganho. E enquanto lhes fazeis bem, são todos vossos e oferecem-vos a família, os bens pessoais, a vida, os descendentes, desde que a necessidade esteja bem longe. Mas quando ela se avizinha, contra vós se revoltam. 

E aquele príncipe que tiver confiado naquelas promessas, como fundamento do ser poder, encontrando-se desprovido de outras precauções, está perdido. É que as amizades que se adquirem através das riquezas, e não com grandeza e nobreza de carácter, compram-se, mas não se pode contar com elas nos momentos de adversidade. 

Os homens sentem menos inibição em ofender alguém que se faça amar do que outro que se faça temer, porque a amizade implica um vínculo de obrigações, o qual, devido à maldade dos homens, em qualquer altura se rompe, conforme as conveniências. 

O temor, por seu turno, implica o medo de uma punição, que nunca mais se extingue. No entanto, o príncipe deve fazer-se temer, de modo que, senão conseguir obter a estima, também não concite o ódio.”  Nicolo Maquiavel, in ‘O Príncipe’

Em síntese, o poeta e escritor diz que é melhor que o Príncipe seja temido do que amado, para evitar que seus inimigos ataquem-o no momento de fraqueza e que sua população não duvide de sua firmeza. Dessa forma, se vimos que Lelouch chegou tão perto do ideal de Maquiavel, é esperado que ele tenha seguido também essa linha, não?

Não exatamente

Uma das coisas mágicas da obra Code Geass, nesse viés político, é que Zero não cumpre totalmente esse desejo, na verdade, em alguns momentos chaves, acaba optando por ser amado do que ser temido, isso porque ele mostra o conflito entre o ser humano Lelouch com a figura do governante Zero. Um dilema feito das relações pessoais que entram em embate com ideais, sangue, sacrifícios e o desejo.

Imagem Promocional de Code Geass - Lelouch

© Code Geass, Sunrise

Até quando ele consegue manter-se Lelouch e não Zero? Até onde ele tende a ser amado e ser temido? Para isso, evitando spoilers, basta assistir a série e se quiser, compartilhe a sua conclusão dessa obra.

Code Geass tem a magia de ter um ótimo drama, mas por explorar também questões básicas humanas e políticas, princípios e dilemas, como o de Maquiavel, merece o seu devido respeito.  E por esses motivos é que podemos relacionar e pensar sobre Anime & Ciência – Lelouch e o dilema do Príncipe de Maquiavel.

Mais uma vez, obrigado pelo espaço, tempo no seu dia-a-dia e pela sua leitura. Referências seguem logo abaixo.

Aproveitando, gosta de Neon Genesis Evangelion? Já se perguntou como um EVA funciona? Não?

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Referências:

Bruno Rezende

Estudante, 23 anos, curioso e leitor assíduo. Apaixonado por animes, e sempre afim de aprender.
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