Babylon e suas reflexões sobre a morte

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© Babylon, Revoroot

Olá! Meu nome é Bruno, também conhecido como Doctor Anime(D.A.) e hoje falaremos um pouco sobre o anime Babylon e suas reflexões sobre a morte. Inclusive, você gosta de podcasts? Aqui no Animystic temos um cast especial para Babylon, não deixe de conferir !

DISCLAIMER:  Esse texto possui possíveis gatilhos. Se você sofre de alguma enfermidade de ordem psíquica como Depressão, Transtorno do Pânico, entre outros. Recomendamos fortemente que, em qualquer mal-estar ou incomodo durante a leitura do texto, interrompa imediatamente a leitura.

O mundo da babilônia

Arte promocional Babylon

© Babylon, Revoroot

O anime Babylon, escrito por Minaka Sakamoto, tendo como estúdio Revoroot e licenciado pela Amazon Prime, lançado em 2019 trouxe ao mundo dos animes, através de seu debate filosófico como cerne da trama, uma forte reflexão a respeito de dois temas centrais: A morte e a dualidade  do “Bem x Mal”.

Sobre o primeiro, dentro do contexto da obra, o Japão cria uma região especial, uma cidade teste em que seriam permitidos qualquer tipo de legislação, podendo ultrapassar a própria Constituição Japonesa ou até a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nesta cidade, é criada a chamada “Lei do Suicídio” que institucionaliza o suicídio como um direito legal das pessoas, impedindo que qualquer outrem que esteja envolvido seja penalizado por esse ato. 

Então, através desse mote, Babylon conversa com o telespectador a respeito da vida e da morte, usando como referência o suicídio e é sobre isso que iremos nos aprofundar nesse post.

Por que a morte é algo que permeia a humanidade ? 

“Eu pensei: “eu quero morrer. Eu quero morrer mais do que nunca. Agora não há chance de recuperação. Não importa que tipo de coisa eu faça, não importa o que eu faça, com certeza será um fracasso, apenas um revestimento final aplicado à minha vergonha. Esse sonho de ir de bicicleta para ver uma cachoeira emoldurada por folhas de verão – não era para pessoas como eu. Tudo o que pode acontecer agora é que um pecado imundo e humilhante será empilhado em outro, e meus sofrimentos se tornarão apenas mais agudos. Eu quero morrer. Eu devo morrer. Viver em si é a fonte do pecado.”

Osamu Dazai

A respeito do falecimento, a humanidade pensa sobre ele desde os primórdios. Através da mitologia e das religiões, sempre tentamos buscar uma justificativa para esse evento inescapável e ao mesmo tempo, tentamos olhar para o que há além desse fim, algo que dê continuidade a nossas vidas, outro plano, outra vida, algo que impeça que terminemos apenas no pó. Seja o paraíso, ou um grande ciclo, nossa existência é colocada em um plano maior para justificar algo que nosso consciente não consegue processar direito: o momento do fim.

Nosso corpo, biologicamente, possui um forte instinto de sobrevivência

Por isso que para nós, processar a morte é algo tão difícil, seja pela dor provocada pelo luto, ou por não conseguirmos racionalizar isso corretamente, nosso corpo luta para nos deixar vivo, então por isso tentamos nos afastar da morte. Ainda que hajam diversas enfermidades que atuam nesses mecanismos de regulação, criando situações delicadas e complexas, que muitas vezes podem inclinar uma pessoa a ideias relacionadas ao suicídio.

Babylon e suas referências

Babylon e a analogia à serpente do Eden

© Babylon, Revoroot

Durante a obra, vários são os momentos que a morte, através do Suicídio é abordado, por meio de várias correntes filosóficas, o diretor da obra provoca o telespectador a refletir sobre os pontos colocados, tentando instigá-lo a escolher um lado, afinal, Suicídio é algo bom ou ruim? Um direito ou um crime contra a vida?

Utilitarismo, Existencialismo, as correntes filosóficas abordadas pelo autor da obra durante sua execução são várias, tornando Babylon uma verdadeira Torre de Babel. Um lugar com múltiplas ideias e pontos de vistas, que na maioria das vezes destoam entre si, mas sobrevivem no mesmo espaço. Esse é um dos brilhos desse anime, poder mostrar ao seu telespectador diversas formas de pensar, e deixar com que ele decida a melhor e escolha seu grupo.

Todavia, há um pensamento central na obra, que guia o enredo e podemos admitir ele de acordo com a lógica do suicídio anômico de Durkheim

O que é o suicídio anômico?

Fotografia de Émile Durkheim

Émile Durkheim

Émile Durkheim(1858-1917) foi um sociólogo, considerado por alguns como o pai da sociologia, e que entre suas teorias apresentou para a sociedade, através da obra “O Suicídio”, algumas reflexões sobre esse ato e inclusive conseguindo o categorizar em três tipos, desses três nos interessa o último: O Suicídio Anômico.

Esse tipo ocorre quando há uma situação de anomia, ou seja, falta de regras no âmbito da sociedade. Assim, em um mundo em que há um local que basicamente está acima de qualquer lei, tal como a cidade experimental, é um local onde todo o suicídio pode ser anômico. Ao realizar ele não há uma punição, não há barreiras que o impeça. 

Babylon e suas reflexões sobre a morte

Tendo essa como a sua linha de raciocínio, Minaka Sakamoto tenta apresentar ao leitor um mundo distópico e anômico, mostrando os possíveis efeitos de quando ocorre a “falta de leis” ao mesmo tempo que provoca as pessoas a se questionarem sobre seus dogmas centrais a respeito da vida, da ordem, e do “bem e mal”.

Babylon, por sua vez, é um anime genial, consegue explicar muitos conceitos de forma sutil e apresentar um mundo distópico, tentando aproximar o telespectador dele e buscando fazê-lo refletir e escolher um lado: Justiça ou O mal? Quem está certo? A morte ou  a vida? Qual deles defender ?

Se você não assistiu, recomendo que o faça, pois está perdendo uma grande obra que possa lhe mostrar outras e muito importantes visões de mundo.

Obrigado pelo espaço e tempo de leitura

Você gosta de O Castelo Animado? Já viu o filme? Dê uma olhada nesse post sobre a obra! 

Créditos ao também redator do Animystic, Bruno Trajano, que auxiliou muito na produção e referências desse texto.

Referências usadas no texto encontram-se logo abaixo:

 

Bruno Rezende

Estudante, 23 anos, curioso e leitor assíduo. Apaixonado por animes, e sempre afim de aprender.
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