Aimer: Entre o silêncio e a música

“Silêncio” por Ren.

Em seu ensaio sobre a música, Aldous Huxley escreve: “Depois do silêncio, aquilo que mais se aproxima de exprimir o inexprimível é a música”, por analogia, temos a trajetória da chanteuse Aimer (pronuncia-se EME). O silêncio veio aos 15 anos – por conta do excesso no uso da voz – e, após tratamento, somente em 2011, Aimer tem o seu debut.

Poderia ser o clichê, a lição de vida, um instante efêmero de superação, mas ao que tudo indica é a grande necessidade de exprimir – através da música e das palavras – os dias de mudez. Tal necessidade é constatada em sua canção debut: Rokutousei No Yoru onde os trechos delineiam os sentimentos da cantora em relação à trajetória:

終わらない夜に願いはひとつ “星のない空に輝く光を”

owaranai yoru ni negai wa hitotsu “hoshi no nai sora ni kagayaku hikari o”

Nessa noite sem fim, eu tenho apenas um pedido. “Que haja uma luz no céu sem estrelas”

E houve, pois a “voz” de Aimer se tornou uma estrela cintilante que durante oito anos de produção musical rendeu inúmeros elogios, bem como um plausível reconhecimento além das terras do Japão.

Entre o silêncio e a música, Aimer caminhou, desejou, cantou e amou. Amou profundamente o caminho que a música lhe proporcionou – embora o acaso tenha tentado tragar-lhe a voz – e usou a pedra no seu caminho para construir uma carreira tão ardente e profunda quanto as suas canções.

O autor de Admirável Mundo Novo tinha razão quanto às palavras escritas: exprimir, ir além do que se pode dizer, expressar. E, nesse instante, existe uma mulher que continua seguindo, mesmo que inconscientemente, essas palavras. Eu poderia dizer que entre o silêncio e a música existe ela, o rouxinol chamado Aimer.

Vinicius Raphael

Bibliófilo praticante de camping, trilha e entusiasta de Teatro e Circo. Fã de Akira Toryama, Osamu Tezuka, Masami Kurumuda, Haruki Murakami, Bob Dylan e Hayao Miyazaki. Animes que eu indico: Natsume Yuujinchou, Kino’s Journey – The Beautiful World e às animações do Studio Ghibli.

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