Feminismo e a representatividade feminina nos animes

O feminismo foi criado a partir do século XIX, virando movimento social e político, com objetivo de propor direitos iguais as mulheres, dentro da sociedade patriarcal. E também o “empoderamento feminino”, ato de independência financeira, social e familiar, além do poder de participação social. Eu sou a Bruna Tais e trago-lhes um pouco sobre a nossa representação feminina dentro do mundo dos animes.

 O feminismo no Japão

No Japão o feminismo aflora a partir da criação da revista “Seito” em 1911, mulheres escreviam seus contos literários voltados para o público feminino. A princípio surge no auge da Restauração Meiji, quando as mulheres passaram a estudar, mantendo idealizações cada vez mais rigorosas sobre papéis e comportamentos femininos.

As publicações não tinham a pretensão de emergir ou colaborar com o movimento feminista. Porém, a revista era uma afronta à moral da sociedade japonesa da época e inevitavelmente as editoras da “Seito” tornaram-se feministas japonesas pioneiras no movimento.

Durante a Restauração Meji as mulheres passaram por diversas transformações, agora tinham permissão para solicitar o divórcio. Ainda mais, as mulheres puderam frequentar escola primária, mesmo que voltada para papéis na sociedade, como aulas de corte e costura, cuidados com casa e marido. Outras mudanças aconteceram no papel da mulher após a Segunda Guerra mundial, concedendo possibilidade de votar, além de uma nova constituição, garantindo igualdade de gênero.

mulheres da resvista seito

A princípio, nos animes antigos víamos frequentemente personagens mulheres como forma de entretenimento sexual, ecchi e fanservise. Um dos principais pontos encontrados nas animações japonesas, todavia a deturpação da imagem feminina atualmente tem sido diminuída nas telinhas. Ainda assim, são encontradas em uma cena ou outra nas atuais temporadas.

O estereotipo da figura feminina segue um padrão definido pela sociedade, a forma do “corpo perfeito”, como fica refletido nas obras de arte e literárias. Do mesmo modo, essa idealização da mulher pode ser encontrada em diversas mídias e formatos até os dias de hoje. Por exemplo, redes sociais, filmes, séries, animações, quadrinhos, mangás e animes.

O que é fanservice?

A palavra fanservise em tradução livre significa “serviço para fã”, em outras palavras, vem do inglês, popularizando-se no Japão no início dos anos 90. Ou seja, refere-se ao ato dos autores inserirem em seus trabalhos, elementos apenas para agradar os fãs, assim como incentivar o consumo de suas obras. A princípio vemos o fanservise como algo ruim, porém, inicialmente foi criado com o intuito de lucrar agradando os fãs de uma obra, da melhor maneira possível.

Do mesmo modo, temos vários tipos de fanservise, como os mais brandos com a intenção de agradar de uma forma divertida, com a inserção de Easter Eggs de personagens, objetos e piadas relacionado a si mesmo ou outro universo, mas certamente não podemos esquecer da controversa e popular inclusão de conteúdo sexual, ou seja, o “ecchi” (tradução livre: obsceno).

Quanto a abordagem do ecchi em mangas e animes podemos encontrar uma certa diferença na animação dos estúdios, em contrapartida não tem necessidade desse detalhe. Por exemplo, no anime “Dr Stone” temos o momento em que a personagem Ruri toma o antibiótico de uma maneira com cunho sexual, dando entender outra situação ao público. Contudo, o desenhista Boichi, vem do âmbito de animes  hentai, entretanto não perdera o costume de sexualizar suas artes, nem que seja um pouco.

Feminismo dentro dos animes

Conforme as mulheres tornam-se cada vez mais independentes, lutando pela igualdade dentro da sociedade, simultaneamente o consumo de mangás e animes vem crescendo cada vez mais entre o público feminino. Assim as indústrias se veem obrigadas a representá-las com personagens fortes e bem construídas. Além disso, o fato de haver cada vez mais mulheres no mercado de produção de animes e mangás nos oferece um olhar mais real para a representação feminina nessas obras.

Simultaneamente dentro da sociedade japonesa, os mangás são uma das poucas áreas em que mulheres atuam por igualdade com os homens. Afinal, um bom enredo nunca foi determinado pelo gênero do autor. Algumas das mulheres mais ricas do Japão são mangakás, como Rumiko Takahashi — criadora de Inuyasha, Ramna ½ — e Naoko Takeuchi.

A fim de analisar a representação feminina em animes e mangás, as peculiaridades da produção e do mercado japonês tem suas controvérsias. Ou seja, a má interpretação pode vir de diversas formas: Seja por parte do público, como por parte do autor(a). Visto que o leitor ocidental tem acesso apenas uma pequena fração das  produções no Japão, além das diferenças culturais entre países, muitos pontos pode afetar uma história consumida por diferentes públicos, também existe a padronização do corpo “perfeito” com diferentes aspectos em cada continente.

Conclusão

Por fim, o último ponto é a grande valorização de corpos dentro do padrão e irreais ao mesmo tempo. Personagens extremamente magras, com seios enormes, cintura finíssima e nádegas grandes sempre em evidência. Mesmo que nos mangás os corpos possam ser mais reais, a tendência é o emagrecimento das personagens quando a obra chega no estúdio de animação. Personagens fora do padrão tendem a ser constantemente feitas como alívios cômicos ou são alvo de bullying. Quando as personagens não padronizadas, não encaixa no quesito cômico, acabam emagrecendo milagrosamente.

Em síntese as mulheres e o feminismo são bem representados dentro dos animes e mangás, do mesmo modo encontramos mulheres fortíssima em todos os quesitos. Dessa forma temos diversos animes que nos traz mulheres com muito representatividade e relevância dentro das obras. Dentre elas Mikasa – shingeki no kyojin, sem contar diversas personagens da obra Fullmetal Alchemist, pode-se considerar o melhor anime representante para as mulheres e a luta pelo feminismo.

Bom galera eu vou ficando por aqui, aguardo vocês no próximo texto,  espero que gostem, pois fiz com muito carinho, enfim beijos e até mais.

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