Kaguya-Sama: Love is War S2E01 – Análise técnica

Kaguya-Sama: Love is War conquistou o público durante o ano de 2018, se tornando uma da das sensações da temporada de inverno do ano passado devido ao seu jeito único de trabalhar comédia através de jogos mentais entre seus dois protagonistas Kaguya e Shirogane. Agora, a obra se tornou provavelmente o maior atrativo de uma temporada de primavera que sofreu bastante devido a pandemia do COVID-19. Será que os esforços de Mamoru Hatekeyama e sua equipe conseguiram manter a qualidade na produção que tanto encantou o público no ano passado? Aqui é o Guaraná e vamos analisar o primeiro episódio da segunda temporada por um olhar técnico!

Storyboard: Mamoru Hatakeyama
Episode Director:
Tsuyoshi Tobita
Chief Animation Director:
Hiroshi Yakou
Animation Director: Takayuki Kido, Konomi Sato, Shuntaro Yamada, Satoshi Noma

A-1 Pictures©

Esse episódio mostrou que o estilo que o show tem não deve mudar muito no decorrer da temporada. O storyboard de Hatekeyama continua com várias de suas já presentes características como os zooms, foco na boca, nos pés e nas rápidas trocas de perspectiva para dar mais dinamismo. Além disso, ele continua utilizando o recurso Kagenashi (Tirar qualquer tipo de luz e sombra dos personagens, visando mostrar a emoção pura) nos seus designs. Então, mesmo que demonstrando sempre um amor ao material original, são as coisas novas que Hatekeyama e sua equipe trazem para o anime como os shots estilizados ou até mesmo trazendo cenas totalmente originais.

E por falar em original, não da para não destacar o trabalho de Yuki Iwai, que transformou os personagens da série em trens durante um dos segmentos. O animador já está presente nas obras de Hatekeyama a bastante tempo, tendo o acompanhado em animes como Hidamari Sketch Asterisk War. Apesar de não ser uma sequência tão absurda em termos de animação, é legal ver como ele tem a noção quanto as engrenagens do trem, movimento de cabelo e até a fumaça utilizada no final. Mesmo sendo um corte que em teoria é simples, acabou ficando muito bem feito.

Outro animador que voltou à produção foi Hidekazu Ebina que nesse episódio se mostrou um fã assumido de Chika Fujiwara. Não é segredo para ninguém que a personagem é a queridinha dos animadores de Kaguya desde a primeira temporada e a maioria das cenas bem animadas nesse episódio foram momentos da personagem. Ebina inclusive se focou praticamente por inteiro em Fujiwara durante o episódio e o destaque continua para suas perceptíveis manchas e uso de efeitos. Se eu tivesse que destacar uma cena, seria em que Chika puxa uma carta, essa cena em específico me lembra bastante da participação do animador em Yu-Gi-Oh Arc V, melhor do que qualquer um Ebina sabe como fazer um personagem puxar uma carta.

 

Mas acho que a sequência campeã do primeiro episódio foi a animada por Satoshi Noma. A cena de Hayasaka como espiã no melhor estilo missão impossível é uma aula de como usar bem o exagero. Não só a representação visual de uma bomba prestes a estourar na tela mas também utilizando movimentos que tais como sua missão também são bem impossíveis e exagerados. O destaque com certeza vai para o exagero nos movimentos de Chika Fujiwara que apesar de não serem nem um pouco naturais encaixam muito bem  na narrativa de filme de espião onde tudo aparentemente é impossível.

Quanto a opening, o que eu posso dizer é que sou bastante fã de aberturas que se focam em contar uma história como é o caso de Rally Go Round! em Nisekoi. Claro que os efeitos e toda aquela magia visual da primeira abertura fazem uma falta tremenda, no entanto, me pareceu que essa opening quis dar uma ênfase maior na comédia romântica do que na batalha mental entre Kaguya e Shirogane. A música continua combinando muito bem com a temática do anime e Masuyuki Suzuki vem se tornando cada vez mais uma voz marcante para os fãs de Kaguya, e mesmo achando a música inferior a da teamporada passada, o refrão Daddy Daddy Do gruda como chiclete na cabeça.

Com isso, encerramos nossa análise de hoje! Kaguya continua com uma produção extremamente consistente e podemos esperar grandes coisas vindo do anime, chego a dizer que duvido bastante que essa será a última vez que escreverei sobre a produção de Kaguya nessa season. A obra continua com uma produção incrível feita por pessoas que demonstram um respeito gigante ao material original, mas não se esquecem de colocar um pouco da sua própria essência dentro da animação. Até a próxima, e obrigado pela atenção!

Pedro Guarani

Tenho 23 anos de idade, sou apaixonado pela parte técnica da animação japonesa. Escrevo sobre animação, enquanto tento engolir o fato de que meu melhor amigo me trocou pela namorada.

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