Minha Experiência Lésbica com a Solidão – SAÚDE MENTAL TAMBÉM É IMPORTANTE!

Olá pessoas lindas, aqui quem vos escreve é a Bruna, mais conhecida como Brubs, venho por meio desta tratar sobre um assunto mega necessário, ao qual foi abordado em um dos mangás mais icônicos do ano passado.

Terminei o ano de 2019 lendo Minha Experiência Lésbica com a Solidão da autora Kabi Nagata, publicado no Brasil pela Editora NewPOP e não poderia ter feito escolha melhor. Esta obra me fez perceber o quão importante é a saúde mental e como ser feliz fazendo o que ama.

Composto por apenas 1 volume, retrata acontecimentos reais que ocorreram com a autora, ocasionando profundas reflexões dos leitores sobre as experiências vividas por ela. Tal qual sobre a vida sexual, profissional, financeira, além de tratar profundamente sobre transtornos mentais e alimentares.

Capa

© NewPop Editora – Minha Experiência Lésbica com a Solidão

Em suma a história se inicia com o término do ensino médio, visto que coincide com a entrada na vida adulta, onde surgem os maiores dilemas sobre dependência e autonomia.

Logo no começo ela já expõe que largou a faculdade em um semestre, percebendo-se depressiva e com transtorno alimentar, se vendo cada vez mais perdida, em busca de um espaço que pudesse pertencer. Por muitas vezes necessitamos de aceitação, de um lugar ao qual encha nossa vida de algum significado, mesmo que ele seja “vazio”. Aliás ela sentia que o único jeito de seu empenho ser notado era a partir do reconhecimento, pois caso não houvesse essa percepção, seu esforço não poderia ter sido genuíno.

No decorrer da trama ela retrata diversos episódios de automutilação decorrentes da depressão, cortes esses que eram frequentes e que são muito bem explicados, já que o único jeito de externar todo o sofrimento era exteriorizar as dores do coração em ferimentos visíveis, fazendo com que houvesse um alívio imediato ao que a sufocava no interior.

Ela também exibe os problemas que enfrentava com transtorno alimentar, já que a mesma tinha 1,67 de altura e 38 kg, pois não sentia fome alguma, e nem se sentia no direito de comer, mas que posteriormente devido ao transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) se viu comendo de forma desesperadora os produtos vencidos no local em que trabalhou por um tempo.

Tudo isso a levou a um sentimento de insuficiência consigo mesma, se sentido incapaz, sem saber o que fazer, uma vez que queria morar sozinha, já que não aguentava mais os pais, entretanto acabou tendo que voltar a casa deles. Além dos sofrimentos diários e toda a ansiedade que a cobria, tinha recorrentes pensamentos de morte.

Kabi Nagata foi de uma sensibilidade extrema ao se referir sobre seus transtornos mentais e alimentares, posto que muitos que passam por esses problemas não conseguem expressar em palavras, as dores e as tristezas que os assolam no peito. De uma maestria sem precedentes, ela expõe seus segredos de forma calorosa e aconchegante, acarretando muitos a se identificarem com as problemáticas apresentadas e a se sentirem compreendidos.

Outra adversidade retratada por ela, se refere ao fato de que seus pais a queriam trabalhando com carteira assinada, mesmo que a função desempenhada não fosse de seu agrado. Me arrisco sem sombra de dúvidas em dizer que trabalhar com que não se gosta, principalmente para agradar familiares leva a um estado mental deplorável.

É muito importante pôr em prática nossos sonhos, mesmo que seja um desafio, já que como dito anteriormente seus pais almejavam que ela tivesse um emprego fixo com carteira assinada, mas a mesma não era feliz procurando um trabalho da maneira que seus genitores desejavam, contudo permanecia trabalhando com aquilo que não gostava apenas para que pudesse agradá-los, por esse motivo durava pouco tempo nos serviços, o que trazia a ela um esgotamento mental e físico enorme, tornando seu complexo de inferioridade ainda maior.

A avaliação de seus pais era tão importante, que aquilo que a movia era justamente um possível reconhecimento que pudera vir a ocorrer por parte deles, isto posto, a mesma não sabia o que queria fazer ou o que efetivamente era sua vontade. Aliás durante uma de suas entrevistas em uma padaria, um dos funcionário que estava na qualidade de entrevistador, vê em seus olhos a alegria que ela tinha quando se referia aos mangás, ofício esse que de fato a traz verdadeira felicidade.

A autora inclusive nos confidencia seus problemas referentes à vida sexual, visto que era virgem aos 28 anos e nunca havia tido nenhuma experiência do tipo e muito menos beijado. Os questionamentos acerca desse assunto surgiram quando a mesma se viu adulta, mas ainda excessivamente grudenta com a mãe, pois gostava de tocá-la e isso despertava nela desejos sexuais, o que nos leva a perceber que ela almejava projetar em outra mulher a relação de mãe e filha que a pudessem proporcionar algo parecido com um “colo de uma mãe”. Tal anseio aflorou nela o desejo de querer ser correspondida de forma emocional e afetiva por outra mulher que não fosse sua genitora, desse modo resta demonstrado não haver qualquer interesse por homens.

De igual modo ela tinha a necessidade constante de ser abraçada e mimada como uma criança, portanto houve um processo lento para que ela pudesse de fato se tornar adulta. Em razão disso se sentia excessivamente culpada por ter curiosidades relativas ao sexo, inclusive achando errado ter qualquer pensamento com relação a sua sexualidade.

Um dos pontos mais marcantes do mangá, se refere ao momento em que determinada a se conhecer melhor, pesquisou sobre prostitutas lésbicas com o fim de marcar futuramente com uma delas. A partir desse momento há uma virada de ponto na trama, uma vez que ela começa compreender os pontos errados que a estavam deixando depressiva e o que podia ser melhorado, decidindo assim investir em si mesma pela primeira vez.

Em que pese depois de resolver marcar com a prostituta e se impor diante da situação, surgiram alguns impasses internos, como o medo de não ser aceita, preocupações essas que se intensificaram por meio de pesadelos, mas ainda que um pouco apreensiva, conseguiu exercer um certo controle sobre sua “versão antiga”. Mostrando assim um avanço, quanto ao que antes a mantinha presa, visto que agora pretende viver para satisfação própria e não com o único fim de agradar os pais.

Chegamos ao clímax da história, ao dia que ela viveria coisas novas referente a sua vida sexual. Diante deste novo desafio, estava muito nervosa e constrangida, por isso ao longo do ato, nós leitores ficamos apreensivos por ela e isso é uma característica louvável da autora de nos fazer sentir. A maturidade da prostituta fez com que Nagata percebesse que pulou etapas nos relacionamentos humanos, ou seja, coisas que deveriam ter sido vividas antes dessa importante etapa foram ignoradas, em virtude disso ela simplesmente não sabia como agir ou como sentir os carinhos proporcionados pela garota de programa. 

É essencial citar que a autora constatou ter criado demasiada expectativa sobre algo que sua vontade reprimiu por 28 anos. Ela queria se permitir sentir coisas novas, entretanto não conseguiu devido à falta de experiência e de tato com a situação, ficando totalmente travada e sem expressão. Claramente pôde-se identificar a sensibilidade com que foi tratada, ou melhor a gentileza era tamanha que Nagata despertou um sentimento de culpa por estar tomando o tempo da prostituta.

Ao término da relação, a autora nos mostra um certo nível de decepção com ela mesma, visto o quão primordial é termos conhecimento sobre o nosso próprio corpo, ponto muito enfatizado por ela. Nagata deixa claro que apesar de ser considerado um contato extremamente íntimo, o sexo também é uma forma de comunicação intensa entre duas pessoas. É de se apontar que ao descobrir e explorar coisas novas, os pensamentos suicidas logo se dissiparam para dar lugar ao “doce néctar” que a movia, isto é, trabalhar criando mangás, o que trazia consequente prazer ao coração dela.

Minha Experiência Lésbica com a solidão nos trouxe diversas lições ao longo dessa trama. De vital relevância para a construção da narrativa, uma característica abordada, é a grande necessidade de aceitação que ela tinha, no entanto ao decorrer da obra, percebemos o quão angustiante e deprimente isso pode nos tornar. Resta claro diante dos relatos da autora que sempre temos algo que levamos no coração, aquilo que mais gostamos de realizar, que nos traz alegria, e nos mostra nossa melhor versão.

É importante frisar, que ninguém deve escolher por você o seu futuro e que saúde mental é SIM algo a ser valorizado, pois sem ela não se pode dar continuidade aos seus sonhos, já que consequentemente acaba afetando sua saúde física. Um dos ensinamentos mais valiosos do mangá é que você deve se sentir bem consigo mesmo, independente da sua escolha sexual, uma vez que se conhecendo melhor, isso o trará um alívio e uma mente mais limpa para pensar sobre o futuro e sobre os percalços da vida cotidiana.

Caso você, caro leitor estiver passando por algum desses transtornos psicológicos ou até mesmo com pensamentos suicidas, quero que saiba que não está sozinho, se sinta abraçado pela equipe do Animystic, além disso recomendo que procure ajuda adequada para que possa se sentir melhor e se veja livre desse sofrimento. A depressão tem cura!

Para quem se interessa pela vertente, indico muitíssimo que leia este mangá para maiores explicações, por esse motivo durante minha análise da obra, não relatei com muitos detalhes, para que vocês não percam o entusiasmo ao ler. É sério, você precisa dar um chance, é imprescindível que leia com as minúcias apresentadas pela autora. Aproveita que é volume único >.<

Obrigada Editora NewPOP por mais esse sucesso. E que venha muito mais!

Para os mais chegados no site, também realizamos um podcast em que expusemos nossa opinião sobre o mangá Minha Experiência Lésbica com a Solidão, confira.

Até o próximo texto seus lindos !!!

Bruna Tavares Arrais

Possuo um grande amor pela cultura japonesa, por esse motivo a grande maioria das músicas que escuto é J-rock, além disso sou colecionadora de mangás e adoro ir em eventos de anime com os meus amigos e de quebra as vezes faço cosplay. 22 anos, Formada em Direito e estudante de japonês a 4 anos 😁

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