Shoujo – Gênero ou Demografia? Entenda como funciona!

O que é?

Shōjo, shojo, ou shoujo, é um mangá comercializados para um público feminino mais ou menos entre as idades de 10 e 19 anos. O nome latinizado literalmente significa “pequena garota”. O mangá shojo abrange muitos assuntos em uma variedade de estilos narrativos e gráficos, desde dramas históricos a ficção científica — muitas vezes com um forte foco em relacionamentos românticos e emoções humanas. Estritamente falando, shojo mangá não compreende um estilo ou um gênero, mas sim indica um público-alvo.

Exemplos incluem: Boys Over Flowers, Candy Candy, Cardcaptor Sakura, Fruits Basket, Ouran High School Host Club, Pretty Cure, Princess Ai, Princess Tutu, Revolutionary Girl Utena, Sailor Moon, Shugo Chara!, Tokyo Mew Mew, Rose of Versailles, Vampire Knight, Special A, Nana, Itazura na Kiss etc.

Origem: Como começou até os dias atuais

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que o shoujo mangá (quadrinhos para meninas) não saiu do shonen mangá (quadrinhos para garotos) mas, sim, que ambos se desenvolveram paralelamente. O Japão é uma sociedade, ainda hoje, com divisão muito rígida de papéis, assim, os quadrinhos que surgiram voltados para um público infantil terminaram logo por surgirem revistas para meninos e para meninas. A primeira revista dessa demografia chamava-se Shoujo Club. As histórias publicadas eram muito parecidas com as tirinhas de jornal e eram episódicas. Só pós-segunda guerra que se projetou a primeira grande quadrinista japonesa, Machiko Hasegawa, criadora de Sazae-san, uma personagem publicada ininterruptamente por mais de 40 anos e que enfrentou todos os desafios da reestruturação e crescimento da sociedade japonesa. Mas Sazae-san não era um material infantil e nos anos 50, quadrinhos ainda eram no Japão “coisas de criança”.

No Brasil A Princesa e o Cavaleiro foram publicados pela primeira vez em 1953 na revista Shoujo Club, a primeira revista shoujo próxima aos moldes atuais – as famosas listas telefônicas – foi a Monthly Ribon (ribon quer dizer laço de fita) criada na década de 1950.

©A Princesa e o Cavaleiro

A entrada da mulher japonesa no mercado de trabalho vai se dar principalmente nas décadas de 70 e 80, os primeiros quadrinhos shoujo eram escritos para meninas que estavam principalmente no primário, a temática das histórias era principalmente a dos conflitos familiares – principalmente a relação mãe e filha – e os romances “com príncipes encantados em cavalos brancos”. Mas as meninas crescem e tornam adolescentes, as editoras não queriam perder essas leitoras em potencial e os quadrinistas homens não estavam conseguindo oferecer aquilo que suas leitoras desejavam.

Na década de 60 surgiu uma nova revista, a Margaret voltada para meninas que estavam no ginásio, entrando no mercado de quadrinhos de uma série de artistas mulheres, como Masako Watanabe, Miyako Maki, Hideko Mizuno e Toshiko Ueda, algumas das quais debutando muito jovens, deram um novo fôlego ao gênero.

Artistas como Hideko Mizuno – autora do mangá de Honey Honey, Chikako Uraga e Kyoko Yamashita, criadoras do primeiro shoujo de esportes, Attack Nº 1, inspirado pela vitória da seleção japonesa de vôlei na Olimpíada de Tóquio, foram peças fundamentais para lançar as bases do gênero que foram as grandes desbravadoras. Isso porque entraram no mercado editorial quando esse era quase absolutamente masculino, se firmaram pela sua arte, deixando o exemplo para outras mulheres.

©honey-honey

Na segunda metade da década de 60, o shoujo mangá ampliou o campo das histórias trazendo não somente “o olhar feminino sobre o cotidiano feminino”, mas também introduzindo temas jamais vistos mesmo no universo do mangá masculino. A grande inovação do quadrinho feminino, entretanto foi na narrativa, pois, sem abrir mão do estilo cinematográfico e de recursos utilizados pelo quadrinho masculino, o shoujo rompeu com a linearidade dos quadros, desenvolvendo a ação sem necessariamente ser escravizado por ela.

Um marco nessa nova forma de narrativa, agora definitivamente diferenciada do shonen mangá, foi Fire! de autoria de Mizuno Hideko e que foi publicado entre os anos de 1969 e 1971 na revista Seventeen. Fire! foi um dos primeiros shoujos a atrair uma audiência masculina e direcionado a um público mais velho e aborda de forma realista a trajetória de um jovem americano (Sim, o protagonista é um rapaz) injustamente internado em um reformatório, lá ele conhece um jovem rebelde e mais velho que o introduz no mundo da contra-cultura, com direito à primeira cena de sexo em um mangá shoujo, drogas e rock-and-roll. A história contada com maestria e recheada de temas contemporâneos, drama e tragédia, foi um sucesso e mostrou o amadurecimento das histórias shoujo abrindo caminho para a “Revolução dos Anos 70”, QUANDO COMEÇOU A INTRODUZIR O HOMOSSEXUALISMO. MANGÁ YURI E YAOI.

Principais revistas shoujos: Betsuma, Cheese! Cookie, Desert, Flowers, Hana to Yume, Kiss, Lala, Margaret, Ribon, The Desert, The Margaret

Shoujos clássicos

A princesa e o cavaleiro (1953) – Osamu Tezuka

No Céu, antes de descerem para a Terra as crianças recebem um coração. Para os meninos, azul. Para as meninas, rosa. Certa vez o anjinho Ching, em mais uma de suas travessuras, faz uma menina engolir o coração azul e graças a isso ela fica com dois corações. Deus manda o anjo descer a Terra para pegar de volta o coração de menino e não permite que ele volte ao céu até que dê um fim à confusão que começou no Reino da Terra de Prata, as leis determinam que os governantes sejam homens. Por isso, quando nasce a princesa Safiri, ela é anunciada por engano como um menino ao invés de uma menina e seus pais são obrigados a manter a farsa, já que na linha de sucessão existem o malvado Duque Duralumínio e seu filho, o príncipe Plástico. Com a ajuda de Nylon, o duque tenta descobrir a verdade sobre Safiri desde o nascimento dela para poder retirá-la do trono e colocar o seu próprio filho. Quando completa quinze anos, em um baile de carnaval, Safiri conhece o príncipe Franz e se apaixona por ele. Daí em diante, muitos obstáculos surgem entre os dois como Satã, Madame Inferno, uma bruxa que deseja o coração da menina para sua filha, a bruxinha Heckett, além de problemas no reino e das tentativas do Duque Duralumínio de provar que Safiri é de fato uma garota.

©A princesa e o cavaleiro

Rosa de Versalhes (1972) – Riyoko Ikeda

A história de Versailles no Bara passa-se no final do século XVIII na França. Oscar é uma jovem garota criada como rapaz pelo seu pai. A educação militar que recebeu permitiu-lhe tornar-se capitã da guarda real, encarregada da proteção da jovem Maria Antonieta. Ao seu lado, Oscar tem André, seu amigo de infância, secretamente apaixonado por ela. Mais Tarde, devido a um amor não correspondido, Oscar decide sair da Guarda Real e Maria Antonieta coloca-a na Guarda Francesa. Juntos, terão de enfrentar os primeiros distúrbios que anunciam a Revolução Francesa.

©Rosa de Versalhes

Ashita no Nadja (2004) – Izumi Todo

Nadja Applefield é uma órfã que desde bebê vive no orfanato Applefield. Um dia, quando estava brincando com os seus amigos, ela é chamada pela diretora do orfanato, Miss Aplefield, que lhe entrega uma encomenda. Dentro da caixa, havia um vestido elegante e um diário, além de uma carta, que dizia: “Parabéns, Nadja. Logo chegará seu aniversário de 13 anos. Estou lhe mandando um presente que é uma lembrança da primeira vez que sua mãe foi ao baile. Com os votos de que você encontre sua mãe de novo. Nadja não sabia que a sua mãe ainda estava viva e a diretora lhe explica que, quando ela era um bebê, foi entregue ao orfanato por um amigo de sua mãe, porque ela estava doente e acreditava que não iria conseguir criar sua filha. A partir desse momento, a garota passa a ter o sonho de encontrar a sua mãe novamente.

©Ashita no Nadja/Toei Animation

Sakura Card Captors (1996) – Clamp

Sakura Kinomoto é uma garota de 10 anos, estudante da fictícia cidade japonesa de Tomoeda, que por acidente abre um livro misterioso, chamado Livro Clow. Do livro saem 52 cartas mágicas levadas por uma tempestade de vento causada pela magia da carta Vento, que foi libertada quando Sakura leu o seu nome. Kerberos, o guardião das cartas (uma criatura muito parecida com um animal de pelúcia bem pequeno), surge do livro e conta a Sakura que as cartas foram espalhadas por toda Tomoeda e é seu dever capturá-las de novo, tornando-a uma cardcaptor (capturadora de cartas em inglês). As cartas provocam fenômenos estranhos ao redor de Sakura, que emprega os poderes das cartas já capturadas em seu báculo mágico para dominá-las e juntá-las à sua coleção. Ela conta com a ajuda de sua amiga Tomoyo, e mais tarde de outros personagens como Syaoran Li, um cardcaptor rival que mais tarde se torna seu aliado, e Yue, outro guardião das cartas.

©Sakura card captor/Madhouse

Sailor Moon (1997) – Kunihiko Ikuhara

Sailor Moon conta a história de Usagi Tsukino, uma garota normal e inocente de 14 anos — pelo menos, é isso que ela pensa — que um dia encontra Luna, uma gata falante que revela a identidade de Usagi como “Sailor Moon”, uma guerreira mágica destinada a salvar a terra das forças do mal. Luna, então, dá a ela tarefas, como a de encontrar a Princesa da Lua e a de proteger a terra de diversos antagonistas, começando com o Reino das Trevas, que há um tempo destruiu o Reino da Lua. Antes da série começar, o inimigo atacou o Reino da Lua, o que obrigou a Rainha a mandar a Princesa da Lua, suas guardiãs, seus assessores e seu verdadeiro amor para o futuro para renascerem. Junto com suas guardiãs — a inteligente Sailor Mercúrio, a vidente Sailor Marte, a moleca Sailor Júpiter e a alegre Sailor Vênus — a Princesa da Lua luta contra o mal e, com o tempo, encontra-se com o Tuxedo Mask, o seu verdadeiro amor.

©Sailormoon/Toei Animation

Shoujos populares

Aoharaido (2011) – Io Sakisaka

Futaba Yoshioka quer dar um novo rumo a sua vida. No ginásio, Yoshioka não tinha nenhuma amiga, porque muitos garotos gostavam dela. No entanto, o único por quem era apaixonada, Kou Tanaka, afastou-se dela, antes que ela pudesse confessar seus sentimentos. Agora no colegial, Yoshioka está determinada a ser indelicada e grossa com os garotos, para que suas novas amigas não sintam ciúmes dela. Ela estava feliz com sua vida, até reencontrar com Kou, que agora usa o nome Kou Mabuchi. Ele diz que também era apaixonado por ela naquela época, porém que agora seus sentimentos são indiferentes.

©Aoharaido

Nana (2000) – Ai Yazawa

Duas garotas chamadas Nana se encontram em um trem rumo a Tóquio por acaso. Depois de uma série de coincidências, elas acabam vivendo juntas em um apartamento de número 707 (“nana” significa “sete” em japonês). Apesar de terem personalidades e ideais diferentes, as duas acabam se tornando amigas “por obra do destino”.

© Nana/MadHouse

Hirunaka no Ryuusei (2011) – Yamamori Mika

Uma garota de 15 anos do interior chamada Suzume Yosano, tem de ir para Tóquio para morar com seu tio devido à transferência de trabalho de seu pai. Ao chegar na cidade, ela esbarra em um homem misterioso que acaba levando-a para a casa de seu tio depois que ela se perde. Acontece que Suzume irá vê-lo com muito mais frequência no momento em que ela começa a escola, porque… ele é seu professor! É no mesmo instante que ela faz a sua primeira amizade em seu novo colégio. Um garoto tímido, que não fala com garotas, mas que aos poucos será conquistado pelo carisma da garota do campo. A vida de Suzume será diretamente influenciada por esses dois, e ela enfrentará uma situação totalmente diferente de tudo que já viveu. Shishio ou Mamura? Qual será o destino do coração de Suzume?

©Hirunaka no Ryuusei

Kaichou wa Maid sama (2005) – Hiro Fujiwara

Antigamente uma escola apenas para garotos, o Colégio Seika, uma renomada escola cheia de alunos imprudentes, passou a aceitar garotas também. No entanto, o número de garotas ainda é bastante inferior aos de garotos, mesmo após as mudanças ao longo dos últimos anos. Assim, Misaki Ayuzawa pretende reformar a escolar por conta própria e permitir, dessa forma, que as garotas se sintam mais seguras no ambiente, tendo até mesmo os professores ao seu lado. Por se destacar nos esportes e estudos, ela se tornou a primeira presidente feminina do conselho estudantil da escola, ganhando reputação entre os garotos e se tornando uma esperança para professores e as estudantes femininas. Porém, apesar da sua aparência de durona, ela trabalha em um maid café para ajudar a sua família. Infelizmente, o segredo de Misaki é descoberto por Takumi Usui, um garoto popular do Colégio Seika. Em vez de revelar isso a escola, Usui guarda isso para si e até mesmo se torna um cliente regular do café, para o desgosto de Misaki.

©J.C.Staff/Kaichou wa Maid sama

Ore Monogatari (2012) – Kazune Kawahara

Takeo Gouda e Makoto Sunakawa são amigos de infância, apesar da diferença física e psicológica entre os dois. O primeiro, apesar de se mostrar forte e durão, é bastante sensível e se apaixona facilmente, porém nunca é correspondido; enquanto isso, o segundo é muito bonito, mas é indiferente em relação as garotas apaixonadas por ele. Um dia, Takeo se envolve em uma briga para proteger a jovem Rinko Yamato de um tarado do trem. Ela se torna eternamente grata a Takeo, embora sempre fique sem jeito ao seu lado. Assim, Takeo chega à conclusão de que ela, certamente, apaixonou-se por Makoto. No entanto, parece que, desta vez, as coisas serão diferentes.

© Madhouse/Ore Monogatari

Bom galera eu vou ficando por aqui, aguardo vocês na próxima, e espero que gostem do texto, pois fiz com muito carinho, enfim beijos e até mais.

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