Chadwick Boseman – Três heranças de um exemplo negro

Oi eu sou o Bruno, e dessa vez o assunto apesar difícil é necessário!

No último dia 28 de agosto, conforme noticiado por quase todos os veículos de mídia, o ator Chadwick Boseman, veio a falecer. Além do sucesso como o Pantera Negra nos filmes do Universo Cinematográfico da MARVEL, o artista fez papéis icônicos como bem lembrado pela família em nota no instagram.

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It is with immeasurable grief that we confirm the passing of Chadwick Boseman.⁣ ⁣ Chadwick was diagnosed with stage III colon cancer in 2016, and battled with it these last 4 years as it progressed to stage IV. ⁣ ⁣ A true fighter, Chadwick persevered through it all, and brought you many of the films you have come to love so much. From Marshall to Da 5 Bloods, August Wilson’s Ma Rainey’s Black Bottom and several more, all were filmed during and between countless surgeries and chemotherapy. ⁣ ⁣ It was the honor of his career to bring King T’Challa to life in Black Panther. ⁣ ⁣ He died in his home, with his wife and family by his side. ⁣ ⁣ The family thanks you for your love and prayers, and asks that you continue to respect their privacy during this difficult time. ⁣ ⁣ Photo Credit: @samjonespictures

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Com filmes como a cinebiografia de James Brown e Marshall de 2017, o ator não só incorporou a luta e a representatividade negra, como sempre levou para as telas a excelência e orgulho de um povo. Da mesma forma em discurso durante uma premiação pelo elenco de Pantera Negra, fica evidente a importância do filme, do elenco e acima de tudo da representatividade.

De fato, não apenas a mídia tem compartilhado a informação, mas diversos artistas e pessoas por todo o mundo passaram a compartilhar seus sentimentos para com o ator, por essa terrível perda. De acordo com o que já foi mencionado, não há como dissociar Chadwick do rei T’Challa, ou de seus outros papéis, tão importantes. Por conta disso, ofereço agora uma reflexão sobre três pontos que podemos levar de herança desse grande ator.

A saúde e seus dilemas

Em princípio, algo que chocou a todos foi descobrir que o ator enfrentava desde 2016 uma luta contra o câncer de cólon. A saber a notícia veio a público através de uma postagem da família que anunciou o falecimento do ator, e informou sobre o câncer. Além disso, foi dito que durante todos esses anos, ele alternava entre cirurgias, quimioterapia e filmagens dos projetos.

Em suma, diante disso fica evidente como mesmo passando por algo tão intenso e doloroso o ator demonstrou maturidade em cuidar de sua saúde. Tal situação é um tabu na nossa sociedade, pesquisas apontam que homens se cuidam menos que mulheres. Ainda mais a própria criação do homem o leva a sempre ignorar sua própria saúde ou desvalorizar qualquer menção a visitas preventivas a médicos e exames.

Fonte: Outubro Rosa x Novembro Azul: por que os homens se cuidam menos que as mulheres? – https://jornaldebrasilia.com.br

Em 2019 o ator Will Smith também protagonizou uma situação onde ficou evidente a aversão masculina a cuidar da saúde. Convencido por sua médica pessoal, ele se submeteu a um exame de colonoscopia. A fim de brincar com o processo, decidiu filmar toda a experiencia e ainda brincou com a questão do exame. Entretanto, foi descoberto por sua médica, células pré cancerígenas, deixando o artista em choque e mudando o tom do vídeo. Tal processo foi registrado e postado em seu canal no youtube.

Por fim, fica claro, como o exemplo de Chadwick é relevante, pois mesmo enfrentando uma questão de saúde, e tendo que se submeter a situações complicadas, ele foi além da doença. Se cuidar, realizar tratamentos e etc. não fizeram dele menos homem, nem o impediram de se tornar o símbolo que ele virou. Esta é a lição que temos que tomar como herança.

Privacidade

Como já mencionado pela própria família do ator, a privacidade se mostrou algo muito necessário, e até mesmo característico. Considerando ainda que mesmo sua situação de saúde só veio a público agora. Tal traço, pode ser lido de maneira reflexiva, para como nos portamos hoje.

Além de gostarmos de um artista e nos nomearmos fãs, acabamos por buscar conhecer cada vez mais, e estar ciente de tudo que faz daquela pessoa quem ela é. Todavia, até onde é nosso direito interferir na vida de outro, por pura satisfação pessoal?

Fonte – https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2020/01/grupo-de-fas-da-marvel-pede-pela-saida-de-brie-larson-do-mcu

Apesar de ser uma reflexão mais curta, se faz necessário pensar, como tratamos esses artistas nas redes sociais. O quão invasivos e até mesmo tóxicos os ditos fãs conseguem ser. O direito a privacidade bem como seu próprio conceito vem mudando ao longo dos anos e com o avanço tecnológico. Muitos anseiam pela conexão com o outro, ignorando diretamente o querer desse mesmo.

Fonte: Hana Kimura – atleta morre aos 22 anos -https://animystic.com.br/editorial/hana-kimura-atleta-morre-aos-22-anos/

Tal exercício de pensamento, pode ser importante, ao imaginar porque o artista não compartilhou sua dor e sua situação? E principalmente porque queríamos tanto que ele tivesse feito? A privacidade nesse caso, é mais que a escolha de não tornar algo público, mas um depoimento indireto sobre quem somos e como lidamos com as escolhas e com a vida dos outros, sejam próximos ou sejam ídolos. Seu apego pela privacidade, deve despertar nosso respeito.

“Proposito é um elemento essencial de quem você é. É a razão pela qual está nesse planeta, nesse momento da história. Sua existência por si só, esta envolta em coisas que você está aqui para preencher!”

 

A representatividade

A representatividade sem dúvidas é o principal discurso associado a figura do artista. Muito é dito sobre como ele fez história e se tornou um herói para aqueles que nunca se sentiram dignos. Essa é sem dúvidas uma herança linda que ele nos deixou, apesar de evidenciar um problema que ainda sofremos.

Muitas reportagens foram feitas no ano de lançamento de Pantera Negra. Primeiro sobre como o elenco do filme era quase completamente composto por pessoas negras. Depois sobre sua representação de um mundo ideal, que mostra uma cultura de origem nos países africanos de maneira linda e cativante. Por fim, foi demonstrado ainda, sobre como o abismo social da representação negra é forte.

ONG’s, se mobilizaram a fim de levar crianças para ver o filme nos cinemas. Crianças essas que nunca tiveram a chance de se enxergar numa tela. Com o filme, e seus diversos personagens milhares e milhares de pessoas passaram a ter em quem se espelhar e um herói que não era vítima de nenhum estereótipo. Podendo se orgulhar se sua cor!

Fonte: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/estudantes-fazem-campanha-para-levar-criancas-negras-a-assistir-ao-filme-pantera-negra-no-cinema.ghtml

Ao mesmo tempp, muito mais coisas ainda viriam com Chadwick Boseman. Na lista temos Pantera Negra 2, a série What If da MARVEL, um filme dirigido por Denzel Washington, e ainda um projeto em que ele daria vida a história de Yosuke o primeiro samurai negro do Japão.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50022956

Por fim

Infelizmente, esse artigo que celebra a vida e a obra do autor, também tem que falar de sua morte e como sua falta será sentida. Pois um verdadeiro herói e exemplo nos deixou. Enquanto homem negro, brasileiro e morando no interior do Ceará, posso afirmar como o racismo não acabou.

Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência. – https://www.cartacapital.com.br/sociedade/seis-estatisticas-que-mostram-o-abismo-racial-no-brasil/

Inegavelmente pessoas negras ainda são alvo de ódio, injustiça e preconceito. A cultura que se origina dos povos trazidos como escravos, é taxada de louca, exótica e ainda como “maligna”. A música e os adereços de moda, só tem valor quando vestidos por pessoas brancas. E o próprio valor do negro parece sumir. E é por isso de Boseman, foi um ícone que deu voz a diversas pessoas, e esperança a muito mais gente.

Em síntese, se algo ainda pode ser adicionado a reflexão sobre sua vida e obra, eu gostaria de dizer que tomo como herança e passo adiante essas três características.

See You Later Elevator!

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