Ela Luta Sumô – Lutando contra tradições

Oi eu sou o Bruno, e dessa vez para aumentar nosso escopo de obras, falo do documentário Ela Luta Sumô, ou no original Little Miss Sumo.

Premiado

Litle Miss Sumo, ou no Brasil com o título de Ela Luta Sumô, é um documentário que acompanha Hiyori Kon. Atleta amadora que luta dentro e fora do esporte. Os diversos dilemas de ser uma mulher num ambiente misógino. A saber, o documentário foi lançado em 2019, e filmado entre 2017 e 2018. Além disso o mesmo se encontra disponível na Netflix.

Sinopse

Proibida de competir profissionalmente, a campeã de sumô Hiyori tem de se aposentar aos 21 anos de idade. Hiyori, porém, decide se opor à tradição e embarca em uma jornada incrível, enfrentando obstáculos dentro e fora dos ringues, em uma tentativa de mudar para sempre o esporte nacional do Japão.

Conforme mencionado na sinopse, Hiyori, que é apaixonada pelo esporte, enfrenta um estigma social muito presente no Japão. Apesar de manter sempre um sorriso no rosto ao falar do sumô, o documentário evidencia como as mulheres são tratadas e vistas dentro do esporte que possui características ritualísticas que descrimina a figura feminina.

Ainda mais, a própria sociedade, dita um padrão ideal de mulher, que acaba, claro, sendo algo irreal. Além de perpetuar diversos esteriótipos e comportamentos nocivos, o ideal dentro do Japão, assim como em outros países, acaba por sempre inferiorizar e limitar as mulheres.

Ela luta

© Netflix

Sobre o Sumô Hoje e Hiyori

A jovem que luta desde sua infância, conta no filme de maneira orgulhosa suas conquistas dentro do esporte. Entretanto, é retratado com seus depoimentos, que ela é uma das poucas atletas que se “atrevem” a continuar a perseguir uma carreira dentro do sumo. Conforme evidenciado, o sumo feminino, só é praticado até o ensino fundamental, e durante a universidade, Hiyori foi a terceira mulher a participar de um time de sumô.

Young

Little Miss Sumo – ©Netflix

Em suma, o esporte ainda se apresenta quase como uma cerimonia religiosa. De fato, sua origem remonta a história de deuses que se enfrentavam, da maneira que ainda hoje é repetida dentro da prática esportiva. Entretanto, é justamente esse aspecto ritualístico e repleto de dogmas, que permite a ambiguidade da beleza associada a tradição.

Netflix

Little Miss Sumo – ©Netflix

Em outras palavras, os diversos ritos e o lado associado a mítica do esporte, acabou o fechando de modo, a permitir pouca evolução, seja no aspecto mental ou social. Não apenas isso, mas a chamada tradição, gerou dentro do Sumô, um ambiente em que impera a masculinidade tóxica e a misoginia. Atletas são abusados fisicamente, treinadores fazem pactos de silencio, e costumes prejudiciais são mantidos a fim de manter uma aparência que não conversa com a realidade.

Netflix

Little Miss Sumo – ©Netflix

Problemáticas reais

News BBC

©BBC

A saber, não é difícil encontrar relatos e notícias que evidenciam como certos comportamentos dentro do esporte, favorecem a discriminação e principalmente a crimes e atos de violência. Por exemplo, foi noticiados pela BBC em um artigo de 2017, como o ambiente de dojos, e locais de treinamento dos praticantes de sumô, perpetua violência contra os atletas.

©BBC

Nesse sentido, é relatado como a relação entre os mais velhos, para com os aprendizes chega a ser abusiva, gerando nos mesmos uma conduta ainda mais violenta. Jovens profissionais chegam a apanhar constantemente de seus treinadores, até e conforme relatado por um dos campeões, o mesmo passava por momentos que era surrado por mais de 40 minutos sem parar.

Campeão

©BBC

Sob o mesmo ponto de vista, a Japan Times, registrou em uma matéria, como uma médica quase foi expulsa do ring pelo juiz, enquanto tentava fazer seu trabalho atendendo um homem que havia desmaiado durante uma partida oficial de sumô. Segundo certos dogmas dentro do sumô, a mulher é vista como um ser sujo que não é permitida no ambiente.

Treino

Little Miss Sumo – ©Netflix

Além disso, o documentário mostra como se torna difícil até mesmo encontrar técnicos dispostos a treinar mulheres, e mesmo aqueles que reconheçam as suas necessidades e foquem em seu desenvolvimento. Hiyori comenta que segundo a tradição perpetuada, mulheres são vistas como impuras e são proibidas dentro dos espaços de competição.

Training

Little Miss Sumo – ©Netflix

Lutando contra a “tradição”

Originalmente, o Sumô feminino não chega nem a ser reconhecido. O que leva as atletas a sempre serem nomeadas como amadoras. Apesar de participar de competições, aparecer em revistas e ainda lutar a nível internacional, é evidenciado pela obra, como não existe uma aprovação ou reconhecimento dessas atletas. Só para ilustrar, é falado como mesmo o pai de Hiyori insistiu com a filha para que ela largasse o esporte.

Historia

Little Miss Sumo – ©Netflix

Entretanto, a luta de Kon foi reconhecida internacionalmente, e a mesma, junto de Yumi Ishikawa, foi mencionada na “100 most inspiring and influential women for 2019”. Uma lista produzida pela BBC, que reconhece e aponta 100 mulheres inspiradoras e influentes no ano. A obra apresenta de maneira positiva o esforço de sua personagem, que tem que lutar contra tradições que negam sua existência, e uma sociedade que tenta moldá-la a fim de fazê-la um acessório a figura masculina.

Figuras Femininas

©BBC

Conforme já dito, Hiyori Kon, se tornou não apenas uma voz para defender e incentivar a modalidade feminina da prática do esporte. Mas também uma defensora da própria luta feminina por igualdade e respeito. Em determinado momento, é citado como as tradições proíbem e restringem mulheres, além de, conforme já mencionado, criarem situações de abuso. Com isso em mente se faz necessário questionar o próprio uso da palavra “tradição”, hoje em dia.

Ponto Negativo

Little Miss Sumo – ©Netflix

Tradição não significa Lei

Não apenas no Japão, como em diversos países, existe uma falsa ligação entre tradição e regras. Há uma mensagem de que tradições antigas são “leis” a se cumprir, e que nunca podem ser atualizadas. Tal mentalidade e mensagem podem ser vistas em discussões sociais no Brasil com a “família tradicional”, nos Estados Unidos com os “costumes tradicionais” e a “moral e história americana”. Entre outros exemplos, onde a alusão aos “costumes do passado” são lidos como regras e a maneira “correta” de se viver.

Hiyori, menciona como ela estudou sobre a sociedade e as lutas e conquistas das mulheres, e como no Japão isso é praticamente inexistente. Sem dúvida isso ainda se mantém hoje, visto que existem aqueles que tentam não só apagar o valor e os feitos de grandes mulheres, como também tentam silencia-las usando como artifício, as “tradições” mais que ultrapassadas.

Sumô

Little Miss Sumo – ©Netflix

Só para ilustrar, cabe mencionar como nós, enquanto sociedade, precisamos nos livrar de “tradições” passadas. E mesmo leis antigas, precisaram ser abolidas para evoluirmos, a exemplo, o direito feminino ao voto, a liberdade aos povos escravizados, a descriminalização da união homoafetiva, entre outros diversos avanços que precisam ser feitos afim de quebrar “tradições” que assassinam pessoas.

Mulheres Japonesas

Little Miss Sumo – ©Netflix

Por fim

Training

Little Miss Sumo – ©Netflix

Em depoimentos sobre o filme documental, Matt Kay, o diretor e produtor, afirma como ficou fascinado pela paixão da atleta, e por isso decidiu produzir o filme. Com uma equipe bem diversa, e de maneira intimista e respeitosa, a obra acompanha a relação de Hiyori com a família e com colegas de time. Competindo e até mesmo aprendendo sobre si e sobre o esporte.

Neve

Little Miss Sumo – © Matt Kay

A obra que não tem mais que 20 minutos de duração, consegue tocar em elementos muito importantes de discussão social e principalmente de representação tanto feminina quanto da própria beleza real do Sumo. Assim como em outros esportes, o foco deveria ser na excelência do praticante, nas oportunidades de se provar e conhecer pessoas que compartilham de sua paixão. Entretanto, somos postos diante de uma triste realidade, e uma mulher que luta para alterá-la.

Sumô

Little Miss Sumo – ©Netflix

Infelizmente, existem muitos outros ambientes, que ainda perpetuam más condutas e desrespeito para com mulheres e diferentes pessoas. Cabe a nós, nos inspirar em pessoas como Hiyori Kon, para lutar por situações melhores, e promover igualdade. Além disso, prestar nossa admiração por quem consegue ser alguém em quem se espelhar.

Sumô

Little Miss Sumo – ©Netflix

Assista, estude, reflita, busque, aplauda e continue lutando e sorrindo como uma Lutadora de Sumo.

Acredito que mais pessoas vão..

Little Miss Sumo – ©Netflix

See You Later Elevator.

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