Filhos da Baleia – Filosofia grega e dor?

Oi eu sou o Bruno! Você já assistiu Kujira no Kora wa Sajō ni Utau ou Filhos da Baleia? Percebeu a filosofia grega, ou ao menos uma corrente de pensamento em especial, explicada no anime? Nem sabe que anime é esse? De qualquer forma, vamos dar uma olhada nisso então!

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Filhos da Baleia ou no original Kujira no Kora wa Sajō ni Utau, é um anime lançado em 2017, baseado na obra da autora Abi Umeda. Produzido pela J.C Staff, estúdio que também responsável por Bakuman, Toaru Majutsu no Index, Shokugeki no Souma, entre outros (a propósito, você também pode conferir outros artigos e até podcast sobre as obras citadas aqui no site).

Apresentação ou Contexto

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Kujira no Kora wa Sajō ni Utau, está disponível no catálogo da Netflix, e conta com a seguinte sinopse:

Chakuro é o arquivista de 14 anos da Baleia de Lama, uma ilha quase utópica que flutua na superfície de um infinito mar de areia.

Conforme mencionado, a ambientação dessa história é esse mundo coberto por um mar de areia, onde uma estrutura gigante serve de lar para o grupo de pessoas que acompanhamos. Esta ilha flutuante, é chamada de Baleia de Lama, e navega à deriva nesse mar de areia.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Primeiramente, é introduzido os costumes desse povo e quem são eles, afinal. A narração de Chakuro fala sobre a cerimônia de enterro que é vista, e nesse momento um dos alicerces dessa história é apresentado. Todos na cena parecem abatidos e frustrados, mas em contrapartida o jovem registrador é o único que parece a beira de derramar lágrimas, transparecendo suas emoções bem mais que todos ali.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

O motivo disso logo é explicado, e então mais características dessa sociedade são reveladas. Mas inegavelmente, a ideia de não transparecer sentimentos ou mesmo vivenciá-los é o principal nessa história. Assim como na nossa própria realidade, este tópico está presente desde os gregos.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Dilema?

A relação com as emoções em Filhos da Baleia, é mais explorada quando um outro “navio/ilha” aparece próximo a Baleia de Lama. Um grupo é levado para explorar a nova ilha, e após uma série de acontecimentos, mais um elemento é introduzido. Neste outro navio, existe uma criatura capaz de extrair e consumir as emoções das pessoas.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Grande parte do dilema que os personagens vivem, deriva de sua relação com os sentimentos e como supostamente as emoções geram coisas ruins. Um dos personagens acaba por se machucar ao tentar reprimir seus sentimentos. Não existe então uma relação saudável consigo mesmo.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Nós os encontramos nessa história, descobrindo como processar tudo, talvez criando seu jeito. E isso é uma referência muito interessante para algo que essa obra usa em abundância: o ser estóico!

Por analogia Os Filhos da Baleia discute o Estoicismo!

Referencias e Estoicismo?

Palavras chaves são ditas ao longo das cenas, de modo a despertar curiosidade e, acima disso, enfatizar de onde a mensagem se origina. Os poderes desse mundo são chamados de “timia”. O plot central gira em torno da antagonização das emoções. E claro o uso de “Apatheia”. Todos esses elementos remetem aos gregos, e mais ainda a corrente filosófica do Estoicismo.

Mas vamos por partes…

Fonte: significados.com

“Para a filosofia estoica, a paixão é considerada sempre má, e as emoções um vício da alma, seja o ódio, o amor ou a piedade. Os sentimentos externos tornariam o homem um ser irracional e não imparcial.”

Tal conflito entre emoções é visto e exemplificado ao longo dos episódios.

Timia

Dentro da obra somente alguns podem usar essa habilidade, mas esses que a usam não possuem uma vida longa, e quando certa idade chega, acabam por começar a definhar rapidamente, perdendo totalmente a energia e então falecendo.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Existe uma mensagem que pode ser desenvolvida desse cenário. Se ligarmos o significado da palavra na nossa realidade, pode-se interpretar que aqueles que dependem do uso de suas emoções acabam exauridos por elas. Apesar de simplista, essa interpretação serve ao conflito dentro da obra.

Por fim, a Apatheia

Apatheia

Por Dicionário inFormal (SP) em 19-08-2016

Significado: Vem do grego e segundo a filosofia estoica descreve o estado mental que uma pessoa sem perturbações mentais tem. Pode ser considerado como indiferença.

Conforme já explicado, as discussões sobre a “qualidade” das emoções, assim como elas podem ser destruidoras da sociedade é algo gritante na obra. E até certo ponto, abraçar e aceitar as emoções não faz parte do “lado certo”. Por fim, o que é exaltado na obra é a percepção dessas emoções e finalmente a descoberta de uma maneira sábia de lidar com isso.

Explicando melhor.

O estoicismo foi se desenvolvendo ao longo dos séculos até chegar nos dias de hoje, onde aspectos dessa corrente de pensamento estão inseridas na cultura de povos e nas religiões. Sem dúvidas o maior avanço é ver que esse tópico ganhou vida não só em obras de diversas mídias. Assim como hoje existem profissionais aptos a ajudar as pessoas que buscam a paz consigo e seus “demônios”.

Afinal, no anime, aqueles que ainda mantém suas emoções são chamados de demônios. Entretanto, o povo que decidiu entregar sua “habilidade” de sentir, age de maneira cruel e possui pessoas perversas em cargos de liderança. Eles seriam de certa forma a visão clássica do estoicismo, mas de forma deturpada. Buscando assim ensinar, talvez, que não se trata da negação as emoções, mas sim de seu entendimento.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Nós enquanto pessoas e sociedade, não conseguimos lidar com o que sentimos nem com o próximo. Ao menos em uma primeira camada social. Ao passo que precisamos viver em sociedade, não sabemos lidar com o choro, com o luto ou mesmo com a falta de controle sobre o que nos cerca. Como resultado, nós vilanizamos as emoções. Criamos um meio que incentiva esconder ou ignorar sentimentos. Tal qual o povo da na baleia a deriva.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Em resumo

Em filhos da baleia uma pequena sociedade, quase aos moldes gregos, vivem suas vidas e aprendem como compreender o mundo e se inserir nele, assim como lidar com suas emoções em relação a isso. Fora daquele local, um mundo em guerra existe, e muitos abrem mão de emoções pois estas os levariam a agir irracionalmente. Entretanto terminam propagando mais da violência que alegavam vir dos sentimentos.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Uma das discussões a serem feitas é a “dor do sentir”, seja por luto, traumas, depressão ou diversas outras razões. Existe sim dor nas emoções e sentimentos. Assim como existem maneiras de se buscar entendimento, paz e até mesmo esperança. Apesar de soar como” filosofia de autoajuda”, há uma mensagem profunda e necessária nessa ideia de aprender sobre o que se sente.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

Uma vez que aprendemos sobre o mundo e sua complexidade, fica mais difícil lidar com ele. Por outro lado, não precisamos lidar com o mundo lá fora, mas sim sermos conscientes sobre o mundo interno. O estoicismo clássico já se transformou muito, mas ainda vale o aprendizado a respeito. Tal qual o povo no navio de barro, a deriva em um mar de areia, estamos todos aprendendo a cada dia.

© Kujira no Kora wa Sajō ni Utau – J.C. Staff

P.S.:

Existe algo praticamente folclórico sob a imagem do povo vivendo nas costas de uma baleia gigante e criando seu modo de viver. Não é a primeira vez que essa imagem é usada claro. Em Doctor Who, outra série que adoro, o conceito já apareceu e lá também foi discutido escolhas feitas na sociedade. Uma baleia viajando com um povo em suas costas chega a ser quase um mito comum.

BBC – Doctor Who – 5×02: The Beast Below

Durante a pesquisa para este artigo, topei com o conteúdo de um blog, que lembrou do “lyric video” da música From Finner, que pertence a banda Of Monsters And Men, e claro, ela se encaixa um pouco no contexto de tudo que foi dito. Portanto, fica a dica.

Depois de cada dia ensolarado
Vem uma noite tempestuosa
E era quando Finner diria
Mantenham suas cabeças erguidas

 – From Finner – OMAM

 

See You Later Elevator!

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