Kamen Rider Zero-One: Um Sonho de um Humangear

Zero 2

©Toei Company

Com um toque especial de humor, mas recheado de reflexões filosóficas, a série Kamen Rider Zero-One, a primeira da era Reiwa. Trouxe para seu publico uma aventura envolvendo um jovem e imaturo garoto, herdeiro de uma poderosa empresa de Humangears, na busca de um lugar de fala para uma nova geração de robôs dotados de singularidades.

Se você ficou curioso para saber um pouco mais sobre essa série, relaxa aí e aproveite a leitura. Eu sou o Paladino, e juntos vamos desmistificar um pouco mais essa nova série de Tokusatsu.

O Primeiro Kamen Rider

Kamen Rider Ichigo

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A franquia Kamen Rider é antiga, datando do início dos anos 70. Criada e inspirada pelo lendário mangaka Shotaro Ishinomori, a primeira série do herói gafanhoto trouxe um misto de aventura, ação e drama.

Kamen Rider Ichigo, como ficou conhecido posteriormente, era um ciborgue criado por uma organização maléfica que visava a destruição e dominação mundial.

Armados com uma poderosa ciência maligna e fileiras de monstros e soldados, o plano teria tido sucesso, não fosse a revolta da mais poderosa invenção da organização.

O próprio Kamen Rider.

Essa fórmula básica se desenrolou por diversos e diversos anos nas séries posteriores a Ichigo, com um herói criado pela organização do mau como sua obra prima de destruição. E se revoltando contra ela em busca da defesa da humanidade.

Riders 1 e 2

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Anos e anos da história vieram a culminar numa série de eventos que levou a série Rider ser aclamada por vários anos. Confrontando as outras duas maiores franquias: Super Sentai e Ultraman.

O que rendeu vários crossovers e muita pancadaria entre os heróis, que ao invés de se ajudarem resolvem sair no braço pra não perder a viagem. Valendo lembrar que Ultraman e Ichigo chegaram a trocar sopapos ao ponto de o herói gafanhoto ficar gigante para enfrentá-lo.

Sucesso de Kamen Rider no Brasil

Black Rider

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Quando colocou seus pés em terras “brasilis”, a franquia Kamen Rider já contava com sete produções e histórias variadas, sendo a oitava da franquia (e a primeira no Brasil), o famoso Kamen Rider Black (minha série favorita, aliás).

Diferente das outras produções, Black, era mais sombrio e tinha uma pegada de herói-vilão com uma temática mais densa do que suas antecessoras. Como o público da época já estava acostumado com produções com temáticas pós-apocalípticas, como a de um tal exterminador aí, Black pegou o que Jaspion e companhia conseguiram segmentar e embalou na temática sombria.

Fazendo com que as histórias de Issamu Minami (Kotaro no original), grudassem os espectadores, dia após dia, vendo as finalizações na base do chute do herói aos monstros que enfrentava.

O Sucesso foi garantido o que viabilizou sua sequência direta: Kamen Rider Black RX.  Contudo esse assunto fica para um outro dia. Voltando a Zero-One.

Rider RX

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O Primeiro Kamen Rider da Programação Binaria

Zero-One, como todo início de era, não tinha apenas a responsabilidade de carregar o nome da franquia em seus ombros, mas iniciar também um novo estilo de herói. Como toda mudança de era, as séries ganham novas fórmulas, roupas, músicas, waifus e formas – muitas formas!

Aconteceu com os Sentais, aconteceu com Ultraman e aconteceria obviamente com Kamen Rider. Marcando a clara diferença entre as eras Showa (a primeira) para Heisei (a segunda). Os heróis da primeira época tinham apenas uma forma e apenas ficavam mais fortes, enquanto os posteriores contavam com pelo menos três.

Mas a fórmula de escrita das séries Rider foram gradativamente se desgastando, mostrando o herói evoluindo para uma série de formas carnavalescas, até atingir seu ápice.

Isso incomodou muito os fãs da velha guarda, e mesmo um público mais jovem, não aceitava tão bem as formas apenas como desculpa para comprar uma serie de brinquedos da franquia.

Sendo assim, nesse caminho de mais do mesmo, nada melhor que a nova série tratar de um assunto tão recorrente nos dias de hoje: Singularidade. Deixando nas mãos do novo protagonista Aruto Hiden, o papel de criar junto com seus humangears um novo legado para o herói gafanhoto.

Kamen Rider Zero-One

Zero-One

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Aruto é um comediante iniciante que mais tarde acaba descobrindo ser o último herdeiro vivo do fundador de uma das maiores companhias de tecnologia de seu mundo, empresa essa criadora dos Humangears. Androides baseados em seres humanos com finalidades variadas.

Enquanto isso, uma rede de hackers denominada Metsubojinrai planeja corromper os humangears no intuito de transformá-los em seres incontroláveis a fim de destruir a humanidade e imperar uma nova era de máquinas.

Cabe a Aruto, junto de sua secretária Izu, uma humangears personalizada, tentar detê-los. Enquanto descobre que a empresa de seu avô não era apenas criadora dos humangears, mas também de um traje de combate capaz de lhe dar capacidades para deter os malfeitores, batizada de Kamen Rider Zero-One.

E é nessa trama que se desenrola a história e peripécias de Aruto. Enquanto ele descobre mais do seu passado, através de desafios que o leva a criar mais aliados e novos futuros para os seus robôs.

Características Relevantes

Apesar da trama simples a série conta com uma boa dose de humor, meio caricata no começo, que pode incomodar, mas que aos poucos ganha e convence pelo carisma das personagens.

Mas um dos maiores acertos da produção são as discussões que a história tem ao decorrer dos episódios. Podendo parecer bobo algumas vezes, mas se verdadeiramente interpretado pode gerar debates interessantes entre os fãs.

Uma dessas discussões é: o que difere o ser humano de uma inteligência artificial? A consciência do homem vem de dentro, fruto de uma parte além da matéria física como o espírito, ou consciência é apenas um conjunto de dados de cognição?

Sobretudo, em obras que abordam a tecnologia em paráfrases com a vida do ser humano, seres orgânicos e inorgânicos tem severos embates em busca da aceitação em comum e o respeito que as maquinas querem de seus criadores.

Não é muito difícil perceber que assim como buscamos saber quem nos criou, o que faríamos quando descobríssemos? E quais seriam nossas perguntas? Porque estamos aqui? E todo esse peso emocional é citado em diversos pontos da história.

Aruto entende o valor de seus Humangears, entretanto se permitidos, podem viver uma vida além de sua programação inicial. Muitos deles desenvolvem um misto de amizade e respeito pelo jovem por causa dos ideais que ele possui.

O Sonho de Um Humangear

A singularidade despertada pelos humangears não é apenas um artificio da história para fazê-la rodar.

É evidente que sim, ela é uma ferramenta, todavia é um ponto de discussão recorrente e que com o tempo de desenvolvimento traz à tona o verdadeiro ponto que Kamen Rider quer trabalhar.

Representatividade.

Um ponto comum e polêmico se não usado de maneira correta, a representação dos humangears se dá quando o confronto com diversos humano os fazem despertar os pontos bons e ruins dentro de cada um.

Rider Kamen

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Evidenciando que a verdadeira natureza de um humano, também esta inserida no androide, afinal cada pessoa possui seu pacote de qualidade e defeitos, pensamentos bons e ruins, sendo herói ou vilão de sua história.

Protegendo o sonho que possui de contribuir para a sociedade de maneira benéfica, Aruto defende o sonho dos humangears que não é se tornar um humano, ou superá-los. Mas serem respeitados como iguais.

Sendo assim Kamen Rider Zero One não aposta apenas no pacote de formas como outros Riders, mas também aposta numa nova empreitada de trama como o primeiro de uma nova era.

Contudo não deixa de homenagear suas raízes fazendo alusão aos primeiros Riders da Série: Ichigo e Nigo, em suas formas base como Zero-One e Zero-Two (Com a última trazendo até um adereço que lembra o lenço do segundo Rider).

Considerações Finais

Apesar de simplório Kamen Rider Zero-One pode ser um novo marco das séries Rider, empregando discussões mais profundas, com pitadas de humor e aventura. Ainda mais em uma época que em que os ideais humanos estão plenamente polarizados e muito mais corrompidos.

E você? O que acha dessa série? Deixa aí nos comentários. Eu vou ficando por aqui!

Um abraço e… Henshin!

Paladino

Sou leitor assíduo de conteúdo Otaku e material nerd em geral. Muito fã de Tokusatsu, em especial a franquia Ultra, do qual sou realmente maluco. Corredor por esporte, trabalhador por necessidade e redator de passatempo.
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