Review – Oblivion Song vol. 1 de Robert Kirkman

Oi eu sou o Bruno, e dessa vez quero falar rapidamente sobre Oblivion Song, essa nova empreitada de Robert Kirkman. Esse quadrinho que chega cheio de expectativas, e enfrenta dilemas para supri-las.

 

Prefácio?

O quadrinho está em lançamento nos Estados Unidos desde 2018. Conforme já mencionado, o autor dessa obra é Robert Kirkman, mundialmente conhecido por The Walking Dead. Com a versão em hqs de TWD, ele chegou a ganhar um Eisner, um dos maiores prêmios americanos para o formato.

Entretanto, muito se falou sobre o fim de sua obra de zumbis e o que ele faria a seguir. Dessa forma surge Oblivion Song, que conta ainda com Lorenzo De Felici e Annalisa Leoni. Assim como na série dos mortos vivos, ainda encontramos um mundo devastado, pessoas que parecem lutar pela sua sobrevivência e ainda monstros querendo devora-los. Todavia dessa vez pode haver uma explicação para tudo isso.

Sinopse:

Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram transportados para Oblivion, uma nova dimensão aterrorizante que surgiu de forma inexplicável e destruiu áreas da cidade. Os desaparecidos tentam sobreviver enfrentando seres monstruosos em um ambiente inóspito e atordoante, marcado por raros momentos de calmaria.

O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas depois de dez anos as buscas foram encerradas. Mesmo lamentando a perda de entes queridos, a vida seguiu seu curso para grande parte da cidade, e monumentos, memoriais e museus foram erguidos em homenagem aos que se foram. No entanto, se depender do cientista Nathan Cole, ninguém vai ficar para trás. Nathan desenvolveu uma tecnologia extremamente instável que lhe permite visitar Oblivion todos os dias. Ele arrisca a própria vida em viagens solitárias, perigosas e muitas vezes infrutíferas na tentativa de resgatar sobreviventes. Cada vez que volta de lá, se mostra mais determinado. Mas o que Nathan procura? Por que não consegue resistir ao chamado de Oblivion, à canção silenciosa de um mundo prestes a ruir e a levá-lo junto?

© Oblivion Song

Os mundos

A trama apresentada anteriormente é também mais aprofundada na sinopse, mostra como certos conceitos e ideias da ficção cientifica, são aqui abordados. A ideia de uma dimensão diferente é um ótimo começo e permite dentro da obra a inserção de seres “fantásticos”. Não apenas isso, mas ao definir que um período de tempo tão longo se passou, faz com que os dois mundos estejam já estabelecidos e sigam suas próprias regras.

© Oblivion Song

De um lado o mundo “original”, seguiu adiante. E passou a encarar a perda das pessoas como um incidente isolado. E ainda mais, passando a tratar do caso como um atentado terrorista, criando monumentos a vitimas e pedindo apenas para “seguir em frente”. Claro, isso sendo feito pela maioria e publicamente. Pois como mencionado um pequeno grupo ainda insiste em voltar a essa outra dimensão.

© Oblivion Song

Em “Oblivion”, pedaços da cidade ainda são reconhecíveis, mas tomados pela vegetação única do local. Corpos de pessoas podem ser vistos sendo incorporados ao ambiente “alienígena”. Criaturas monstruosas ainda caçam pelo local. Nathan o protagonista que acompanhamos, consegue achar um casal, que obviamente foge do ser encapuzado e que não mantém diálogo. Este é justamente o clima que esse mundo passa, calmaria e desolação, seguidos por perigo e desconfiança.

© Oblivion Song

E então temos problemas.

A essa altura já está bem apresentado o ambiente e alguns personagens principais. Conforme mencionado, se passaram 10 anos dessa tragédia única. As informações apresentadas mostram que é possível viajar até essa outra dimensão, no entanto ela é mortal por conta de seus perigos. Todavia um pequeno grupo ainda realiza pesquisas, e Nathan consegue trazer algumas pessoas de volta. Por sua vez o governo decide acabar com essas viagens e encerrar esta pesquisa.

© Oblivion Song

Tais elementos me fazem questionar a própria verossimilhança da obra. Não apenas por se tratar de uma obra Sci Fi, que tem isso como lei. Kirkman opta por retratar os EUA como conhecemos. Além disso, as relações apresentadas parecem criar a metáfora com a guerra. Algo que está imbuído na história e na cultura estadunidense.  Entretanto isso se esvai de força narrativa, uma vez que os diálogos e acontecimentos soam como uma desculpa pra história seguir.

© Oblivion Song

Em resumo, o mundo estruturado por Kirkman não parece realmente ter sentido esses 10 anos. O autor parece ignorar a realidade em que baseia sua história. Uma vez que vivemos em uma era de missões espaciais “privadas”. Financiamento online para todo tipo de ação. E ainda a própria bravata americana, que sempre se orgulha de seu poderio militar. Oblivion Song acaba indo em direção contrária a tudo isso.

A referência ao stress pós traumático assim como a própria obsessão do personagem principal, são boas maneiras de explorar as relações humanas. Porém perdem força, uma vez que o entrave da história acontece por Nathan “caçar” os sobreviventes se apresentando como uma ameaça. Ou ainda os próprios resgatados se recusarem a contar sobre os “segredos” da outra dimensão por “motivos infantis”.

© Oblivion Song

Mas ainda residem mistérios intrigantes

Primariamente, o volume 01 brasileiro, encaderna os seis volumes lançados lá fora. A obra lançada pela Intrínseca, consegue sim apresentar nesses primeiros arcos alguns mistérios relevantes. Uma vez que não existe explicação total para como tudo aconteceu. Além disso, o mundo criado tanto em arte como em roteiro, acabam por cativar uma vez que possuem muita identidade.

© Oblivion Song

Diversas vezes os personagens mencionam a “canção”, que dá titulo a obra. Por momentos com medo, por momentos com admiração e até nostalgia. Tal aspecto parece ser aquele que pode gerar discussões e teorias entre os fãs. Algo que já ocorre nas outras obras do autor.

© Oblivion Song

Por fim, mesmo diante de problemas sérios na construção dessa obra. Fica claro que o roteirista consegue criar relações entre os personagens que despertam curiosidade. A arte do quadrinho surpreende pelo dinamismo e cores bem utilizadas. Ainda mais ressalto a importância de personagens diversos, e que são bem introduzidos nesse início de história.

© Oblivion Song

Post Scriptum

Não pretendo dar nota final, nem aquele clichê de reviews online. Todavia insisto em como é necessário enxergar essa obra como ela parece ter nascido: Uma nova empreitada de um autor famoso.

© Oblivion Song

Vemos isso o tempo todo nos animes. Seja o caso bem sucedido de Yu Yu Hakusho e Hunter x Hunter. Ou ainda o duvidoso Bleach e Burn The Witch. A questão é saber reconhecer acertos e erros, e se deixar levar por novas abordagens de temas já clássicos. Além disso o ‘quadrin’ tem promoção de vez em quando… haha.

See You Later Elevator.

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