Soul – Inatismo vs Empirismo (Disney)

Oi, eu sou o Bruno e trago algumas mensagens e reflexões sobre Soul. 

A nova animação da Disney/Pixar, que estreou online no serviço de streaming Disney+. Chegando aos usuários no natal desse ano, o filme primeiramente encanta pelas cores e estilos de animação. No entanto são os subtemas e mensagens escondidas que sempre ganham os espectadores. Assim como outras animações do estúdio, o filme é visado para um público bem mais amplo, e com isso certos conceitos falam diretamente aos mais velhos assistindo. 

Mensagens…  

Conforme já mencionado, um dos aspectos relevantes dos trabalhos apresentados pela Pixar é a chance de apresentar conceitos e situações concretas através da arte animada. Dessa forma, em seu catálogo se encontram filmes que falam de depressão e inteligência emocional como em Divertidamente. Herança histórica e cultural em Viva. Feminismo e estereótipos com Valente. E finalmente propósito, pedagogia e vida em Soul. 

Primeiramente o filme se apresenta de cara como a ideia de um professor de música, ensinando uma turma bem eclética. O conceito de “paixão” pelo que se faz é apresentado, tanto no professor que será o protagonista, como em uma de suas alunas. Eu uso aqui a palavra “paixão” por ser algo mais próximo do que foi utilizado no original como “sparkle” (faísca).  

O filme nos leva a questionar a ideia de “propósito”, “missão” e “sentido” na vida. Analogamente todos nós já nos questionamos alguma vez qual seria nosso propósito. O que nos move a ser como somos e quem somos? Diversas filosofias de vida aplicam uma “visão” para o mundo, e podemos nos encontrar em algumas delas. Todavia essa é a questão belamente apresentada: Onde nos encaixamos afinal? 

Inatismo vs Empirismo 

De tal forma, o filme apresenta de maneira muito inteligente os dois grandes conceitos filosóficos que “moldaram” como somos vistos. Para uma parcela de pessoas muito de como somos, e nossos talentos já nos acompanham desde o nascimento. Tal ideia foi concretizada como conceito por Platão que defendeu o Inatismo. 

Pixar Movie GIF by Walt Disney Studios

Já outros acreditam que ao experienciar o mundo, sentir e conhecer a realidade que nos cerca é a única maneira de saber de verdade sobre si e construir suas ideias e conhecimentos. Essa visão por sua vez, foi estabelecida por Aristóteles que a nomeou de Empirismo. 

Já no filme esses conceitos são apresentados através de um local chamado “antes da vida”, onde almas novas são ensinadas sobre a vida e recebem suas “personalidades”. No entanto na trama, cada alma mesmo estando quase completa ainda possui um espaço a preencher, sendo esse o seu derradeiro definidor. Todavia o sistema apresentado não funciona para todas as pequenas almas, e o conflito da animação se apresenta ao conhecermos uma pequena alma que não possui nenhum “desejo” de começar a viver ou conhecer a terra. 

E ainda existe o Construtivismo 

Conforme já mencionado o filme apresenta de maneira indireta os dois conceitos filosóficos clássicos. No entanto, conforme a história prossegue um novo tipo de situação é apresentada. E através da interação do protagonista e uma alma que não tinha seu propósito para com a vida, é introduzido o derradeiro conceito filosófico: o Construtivismo. 

De acordo com alguns significados o construtivismo enquanto aplicado a filosofia e atualmente na pedagogia, afirma que para o indivíduo apresentar seus talentos, formar conhecimento e realmente se desenvolver é necessária uma ação conjunta do meio e de pessoas. De certa forma, se faz necessário que o meio favoreça o desenvolvimento para que ele ocorra realmente.  

A saber, apresento uma versão resumida de um conceito que é bem profundo, aconselho ler mais sobre o tema. E ainda conhecer outros artigos no blog que falam sobre filosofia e educação. A exemplo o construtivismo serviu de base para uma corrente pedagógica desenvolvida e aplicada por Paulo Freire, que é citado em artigo, aqui no site, sobre professores. 

Pixar Movie GIF by Walt Disney Studios

Reflexões… 

Assim como já dito, o filme indiretamente consegue mostrar alguns conceitos filosóficos, discutir sobre a vida. Além de proporcionar a grande reflexão sobre propósito. Nós enquanto sociedade, principalmente nos últimos anos, passamos a nos questionar ainda mais sobre esse tópico. Tal discussão é muito proveitosa, pois nos afasta de conceitos moldados por terceiros e que são nos impostos. A exemplo do que é sucesso na vida ou do que é aceitável para a sociedade. 

Falar sobre depressão não é novidade. Todavia nem sempre se fala como ela pode surgir justamente desses “propósitos” que nos são vendidos através do tempo. A velha briga entre “seguir seus sonhos” ou “ser alguém na vida”, é um dilema interno comum. Porém, alguns de nós não conseguem identificar direito nenhum dos dois. Alguns de nós ainda se perguntam qual seu real motivo para viver. 

Arte? Esporte? Cultura? Fama? Ser professor, escritor, atleta ou ser ninguém? Afinal como descobrimos nosso propósito? Afinal como eu atinjo finalmente meu local ao sol e me encontro de verdade?  

Sabe… 

Apesar de amar clichês, não vou terminar esse artigo com frases já ditas. Se o filme realmente tentou falar sobre Construtivismo, ele ensinou que o único jeito de viver a vida é literalmente vivendo ela. Por outro lado, a beleza dessa animação está em como ela mostra a música, mas não por simplesmente mostrá-la como uma arte. Mas sim por mostrar diferentes pessoas, com diferentes vidas e em momentos diferentes delas, tendo paixão pela música. 

A vida pode ser uma dádiva divina, um acidente cósmico, um plano intergalático, uma simulação bem louca ou simplesmente uma grande oportunidade. De fato, não existe jeito certo de se viver, e se comparar com outros é o pior. Para encontrar o que te faz querer viver…. bem, é preciso experimentar e viver. 

Por fim, é importante como no longa, a vida não é sempre mostrada como bela. E os principais momentos de realização são mostrados após diálogos. Dessa forma fica claro, que é preciso um esforço para tal. Ainda mais um dos personagens sofre bastante ao se deparar com um mundo barulhento, perigoso e difícil de entender. Em certo nível uma cena mostra algo próximo a um ataque de ansiedade. Não completamente, mas ainda passível de identificação.  

Todavia a personagem consegue ainda encontrar coisas que são muito valiosas para ela. Ela desperta a curiosidade para o que mais pode alcançar e se sente realmente feliz pelas experiências que teve. E isso pode ser “viver” ou ter “paixão”.  

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